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Minicasas no Brasil: aprenda mais sobre essa tendência da arquitetura

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14 nov 2018
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Minicasas: como o próprio nome diz, são pequenos lares. Seu conceito bate de frente com o tradicionalismo da arquitetura ocidental. Todavia, no Brasil, tem se espalhado gradativamente por oferecer benefícios condizentes ao que a população precisa atualmente.

Em um primeiro momento, pode parecer um contra-senso dizer que o sonho de ter uma grande e bela casa já não está tão afinado com a maioria.

Se há tempos as mansões dignas de Hollywood serviam de inspirações para muita gente, hoje, a percepção de uma boa parcela é que não é preciso tanto para viver bem.

Em meio a isso, claro, ao falar do Brasil especificamente, há a necessidade de soluções técnicas, bem como eficientes para a questão da habitação no país que, a saber, é urgentíssima.

Dessa forma, as minicasas ou, em inglês, tiny houses, surgem como uma alternativa viável. Afinal, são construções com baixo custo de produção e, por isso, podem se adequar à realidade brasileira.

Crise nos EUA gerou boom de minicasas

A tendência das minicasas está começando a se disseminar no Brasil a exemplo do que tem ocorrido nos Estados Unidos desde a crise financeira de 2008.

Muitos americanos começaram a buscar um novo formato de vida. Em relação às moradias, por exemplo, cresceu bastante o número de famílias que deixaram suas casas padronizadas: cômodos grandes, quintal sem muros, sótão e dispensa.

Para se adequar ao novo momento norte-americano e também visando diminuir as expectativas referentes ao que seria o “imóvel ideal”, uma parte desses grupos encontrou nas minicasas uma luz na fim do túnel.

Segundo o especialista neste ramo, Andrew Morrison, muitos americanos estão adotando um estilo de vida mais simples e com as residências pequeninas conseguem obter o custo x benefício perfeito. A saber, os novos lares geralmente possuem até 25 metros quadrados.

As minicasas como projeto social no Brasil

Para Morrison, o Brasil tem potencial para abraçar construções de minicasas, aproveitando que elas não demandam gastos exorbitantes, muita mão-de-obra, tampouco um prazo alto para produção.

“Meu entendimento é que o Brasil tem uma pequena parte de casas acessíveis, e isso acontece porque, a exemplo dos Estados Unidos, há uma grande distância entre os que têm muita riqueza e os que têm muito pouco”, disse ele em entrevista ao jornal Estado de Minas online.

A desigualdade social, então, é um possível “start” para a implementação de novos modelos de propriedades.

Aliás, esse é um tema que já está rondando os órgãos responsáveis. Em 2016, por exemplo, as casas minúsculas foram abordadas no Summit Imobiliário Brasil, promovido pelo Estado e o Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP).

Essa seria uma boa ideia para fazer parte de um projeto sustentável, fomentando as políticas públicas no país. A começar pelas grandes metrópoles, as mais atingidas pelo crescimento desenfreado da população, pela falta de moradia, bem como de oportunidades.

Quer saber mais sobre esse tema? Leia nosso artigo ‘Arquitetura sustentável em projetos de arquitetura

Empresas brasileiras já investem no segmento

Enquanto os governos não batem o martelo em relação às minicasas, muitas construtoras já se mostram superativas no ramo. Por ora, o modelo feito com contêiner é o mais adotado.

A empresa Delta, sediada em Curitiba, por exemplo, é uma referência na transformação de contêineres típicos de carga em pequenos refúgios de lazer.

Segundo o gerente comercial Jonathan Gabardo, as estruturas são importadas de países asiáticos, contendo 40 pés de altura. A partir delas, é realizado o trabalho de reforma. O resultado é o produto principal da corporação: uma casa de 30 metros quadrados.

O preço é um dos fatores que mais atrai: a minicasa-contêiner pronta custa pouco mais de 60 mil reais. O tempo para produção também enche os olhos dos interessados, em média 30 dias. Seu uso é mais destinado para locais de descanso, como campo ou praia.

A Brasil ao Cubo é outra empresa que possui expertise nesse mercado. No vídeo abaixo, o engenheiro civil Ricardo Mateus, explica como funciona todo o processo de construção de uma minicasa e mostra exemplos.

Minicasa sobre rodas tupiniquim

Falando em casas de veraneio, não dá para não lembrar dos típicos trailers norte-americanos. Inspiração ou não, esse conceito de lar sobre rodas desembarcou no Brasil.

Em 2017, o casal Robson Lunardi e Isabel Albornoz inaugurou a primeira tiny house itinerante regulamentada do país. Com apenas 29 metros quadrados, ela é produzida com metal e madeira do lado de fora. É composta por sala, cozinha, banheiro, além disso, contém dois quartos.

Os materiais são ainda mais resistentes do que uma casa estática, afinal, nas estradas os ventos podem chegar a mais de 120 km por hora.

Para contar as experiências com tiny houses, bem como o projeto próprio, os dois criaram o blog Pés Descalços, focado no estilo de vida minimalista.

mini-casa-ambulante

Minicasa sobre rodas

Modelos de minicasas no Brasil

Para inspirar ainda mais sobre esse novo conceito, trouxemos algumas imagens de minicasas do Brasil. De fato, ainda são poucas espalhadas pelo país, mas já dá para conhecer a competência dos brasileiros nesse quesito. Conheça:

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Minicasa em Guarda do Embaú, Santa Catarina

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Minicasa em Santo André, Bahia

mini-casa-redonda

Minicasa em Búzios, no Rio de Janeiro

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Minicasa em Balsa Nova, no Paraná

E então, gostou da pauta do artigo de hoje? Apesar de ser uma tendência recente no Brasil, há muito o que falar a respeito. Se você tem interesse em conhecer mais acerca das minicasas, deixe um comentário para nós.

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Que tal continuar agora a leitura sobre a área? Sugerimos o seguinte artigo: Eu e a Arquitetura: O par perfeito?

Até uma próxima!