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Produzindo desenhos para Arquitetura de Interiores

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Em um artigo anterior discutimos sobre o que o arquiteto precisa saber para trabalhar com Arquitetura de Interiores.

Agora vamos discutir sobre algumas das ferramentas, que tanto os arquitetos como os designers de interiores precisam conhecer para elaborar desenhos de projetos de interiores.

Que a ferramenta de trabalho do arquiteto e do designer de interiores se fazem basicamente pela representação de desenhos, isso todo mundo sabe.

Não há como trabalhar com projetos de interiores sem ter conhecimento das ferramentas para produzir desenhos, bem como conhecer quais os desenhos são utilizados para essa finalidade.

Ferramentas utilizadas para arquitetura de interiores

Atualmente a grande maioria dos projetos de arquitetura de interiores é desenvolvida em programas de computador, sendo os mais conhecidos e utilizados são o AutoCAD e o SketchUP.

Por serem os primeiros a se estabelecerem no mercado por sua facilidade de uso, ganharam destaque e popularização entre os profissionais recém-chegados e até mesmo entre os mais experientes.

Outros programas mais avançados como o Vector Works, Revit, 3D Max, Vray, Kerkythea, Lumion e etc, tem ganhando muito espaço no mercado devidos aos recursos avançados e de otimização de tarefas.

Inicialmente o aspirante a profissional de arquitetura de interiores deve dominar o desenho em duas dimensões (2D) para posteriormente partir para os programas em três dimensões no desenvolvimento de maquetes eletrônicas em 3D.

Sem dúvida alguma o aluno precisa ter uma boa base de desenho à mão livre e, principalmente, de desenho técnico em prancheta antes de iniciar nos programas de computadores.

Alguns escritórios que contam com uma equipe maior de profissionais já estão desenvolvendo passeios virtuais para apresentação final aos seus clientes, pois são grandes diferenciais atrativos que além de facilitar o entendimento do projeto, encantam e valorizam o trabalho do profissional.

E como já alertei, o perfil dos novos clientes vem mudando e eles estão cada vez mais exigentes quanto a forma como os projetos são apresentados. 

Criando uma Metodologia de Trabalho

Na área da arquitetura de edificações, principalmente na fase de anteprojeto, a forma como os projetos são representados é um pouco diferente quando comparado aos projetos de interiores, principalmente.

Logo de cara notamos que os desenhos para projetos de design de interiores são mais coloridos, detalham e especificam itens que na maioria dos casos não aparecem nos desenhos de arquitetura de edificações por não ser a finalidade destes desenhos em específico.

Pela falta de abordagem, até mesmo das instituições de ensino, principalmente na de Arquitetura, alguns profissionais acabam por desenvolver uma metodologia de trabalho própria.

Cria-se um roteiro tanto de atendimento ao cliente, procedimentos ou rotina na criação e apresentação de projetos de forma a padronizar seus desenhos, criando assim uma identidade e até mesmo uma marca pessoal.

Podemos encontrar escritórios que executam os mesmos serviços, mas de formas diferentes ou com metodologias diferentes devido as diferentes formas que cada profissional trabalha.

De modo a ser valorizado e ter seu trabalho reconhecido, o profissional em arquitetura de interiores deve mesmo criar diferenciações de padrões de qualidade.

Essa metodologia surge na medida da necessidade do profissional desenvolver um trabalho de qualidade ao mesmo tempo que promove rotinas de trabalho de eficiência.

 

Uma das rotinas que poupam tempo do profissional em arquitetura de interiores é a criação de uma biblioteca de mobiliário padrão personalizada.Rotinas técnicas para arquitetura de interiores

Não há problema em utilizar bibliotecas de uso público, porém quando o profissional quer dar um toque especial e de exclusividade, ele deve procurar desenvolver arquivos com representação única e exclusiva. Isso demonstra capricho e o nível de comprometimento que o profissional tem com sua profissão.

Criar uma biblioteca própria não é tarefa simples, requer um certo talento de quem está criando, pois observar e recriar ou fazer uma nova leitura dos elementos mais comuns nos desenhos requer muito tempo e perspicácia.

Para aqueles que não podem ou não querem fazer sua própria biblioteca, existem profissionais que executam esse tipo de trabalho seguindo especificações do contratante, mas é possível desenvolvermos a nossa biblioteca sem maiores problemas.

Uma dica para quem quer começar a personalizar sua biblioteca é que ela não precisa ser feita toda de uma vez.

Conforme os desenhos dos projetos vão sendo produzidos, os arquivos da biblioteca vão sendo criadas em concomitância.

Eles precisam ser armazenados em local seguro para evitar extravio de arquivos; imagina perder um bloco que você demorou um bom tempo para criar? Você não ia gostar que isso acontecesse…

A sua biblioteca se torna um elemento vivo dentro do escritório, pois nela vão sendo acrescentados elementos dia a dia que vão acompanhar o profissional por muito tempo.

Outra dica é criar uma organização dos blocos no computador, pois o pulo do gato é a velocidade com que o arquivo é localizado no momento em que o projetista está desenhando. Categoriza-los e nomeá-los com coerência de identificação é trabalho fundamental para otimização de rotinas.

O estudo preliminar e o anteprojeto

A partir da planta de arquitetura é que são elaborados os desenhos de interiores, que por sinal também passam pelas mesmas fases de projeto da arquitetura de edificações: estudo preliminar, anteprojeto e executivos fazem parte da rotina do profissional da mesma forma que nos projetos de arquitetura e edificações.

As fases mostram o tipo de desenho a ser desenvolvido de acordo com o nível do trabalho.

O projeto de interiores nasce da planta de arquitetura produzida pelo profissional de arquitetura de interiores. E o projeto começa com os estudos e o desenvolvimento do Layout.

Atualmente os desenhos da fase de estudo preliminar, aqueles com desenhos esquematizados que mostram o fluxo e disposição do mobiliário mais simples e menos ricos em detalhes (daqueles que desenvolvemos na prancha em sala de aula), comumente nem vem sendo apresentados ao cliente.

Quando o cliente recebe os primeiros desenhos, esses já correspondem a fase de anteprojeto, com maior riqueza de detalhe, e todos surgem do projeto original : o Executivo da Arquitetura, é dele que nascem os demais projetos:

projeto_executivo

Formato de Apresentação

A forma como os projetos são apresentas na fase de estudo não valem o tempo e o deslocamento, nem do profissional e nem do cliente, por uma questão de ordem prática, pois o nível de apresentação do projeto ainda é primário e o cliente não “precisa” ter de passar obrigatoriamente por essa fase.

O leigo quer ver um projeto, com cor e referências e não traços esquematizados. Ele quer algo mais substancial que o estudo preliminar oferece.

projeto-executivo-anteprojeto

A fase do anteprojeto é a mais interessante para o cliente, pois a partir daí ele já começa a ver e compreender toda a conceituação do projeto.

Desenho dos projetos de arquitetura de interiores

Os desenhos de anteprojeto de arquitetura de interiores são sempre apresentados em escala maior que o de arquitetura.

A escala 1:50 promove uma melhor visualização do desenho, sem contar que os elementos que compõem a planta são representados com um nível de detalhe técnico maior.

No anteprojeto são apresentadas as propostas de referências visuais como material, cor e até iluminação. É aí que o projeto começa a ficar mais palpável para o cliente.

Nessa fase é que acontecem com mais frequência as reuniões com o cliente, pois todos os desenhos posteriores que dão continuidade ao trabalho nascem com a definição do layout final aprovado pelo cliente.

Os executivos de obra

Definido o layout o profissional, já se pode dar sequência aos desenhos de executivos de obra.

É nos desenhos de projetos executivos que são detalhados todos os itens e disciplinas do projeto com a finalidade de ser utilizada na obra. É nele que o arquiteto especifica dimensões, acabamentos e materiais utilizados, por exemplo.

vista-lavabo

Alguns escritórios têm como metodologia trabalhar com desenhos de pré-executivos. Os pré-executivos nada mais são do que uma divisão de desenhos dentro de uma mesma fase.

Nos pré-executivos são desenvolvidas todas as plantas baixas do projeto e nos executivos todas as vistas.

Fazem parte dos pré-executivos as plantas (escala 1:50):

  • planta técnica do arquiteto;
  • planta técnica com os pontos de interferências;
  • planta de layout do piso;
  • planta do forro;
  • planta de luminotécnica;
  • planta de elétrica.

É na fase do executivo que são realizados os ajustes de compatibilização entre o que foi especificado no pré-executivos e no executivo.

Considerações finais

Nos executivos em si é que são trabalhados os detalhamentos do que foi especificado em planta, só que agora, nas vistas, geralmente é adotado uma escala de 1:25 para esses desenhos e costuma-se utilizar uma escala ainda maior para os executivos de ambientação, 1:20 por exemplo.

Alguns escritórios chegam a trabalhar detalhes em específico em escala 1:1, mas isso vai com a necessidade de cada projeto.

Por isso os executivos de obra, tanto de Arquitetura como o de Design de Interiores, são desenhos trabalhados riquíssimos em detalhes.

vistas-cozinha-planejada

E para se detalhar uma peça personalizada, por exemplo, é preciso conhecer a estrutura da mesma para que se possa fazer um detalhe fiel do que é e do que foi desenhado.

Para ajudar na compreensão e execução dos projetos em obra, além dos desenhos de executivos, o profissional ainda desenvolve o Memorial Descritivo com a descrição textual de todo o projeto, mais o Caderno da obra com as especificações do mobiliário, que é assunto para outro artigo.