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A experiência profissional e a sua reputação

Tenho observado alguns alunos recém-saídos da faculdade estão iniciando na carreira profissional independente de forma desordenada e desorientada, o que acaba resultando em uma experiência profissional traumática e desastrosa, por pura e simples falta de orientação associada a falta de maturidade profissional, ou seja, experiência que ele deveria ter ao decidir dar um passo tão importante quanto o de se abrir um escritório de arquitetura.

Fazendo uma analogia simples, seria tomado como imprudente aquele motorista que recém acabou de adquirir sua licença para dirigir, realizar uma viagem interestadual em uma rodovia de alta velocidade sozinho, sem ninguém e nenhuma experiência de direção. Acidentes graves e de consequências irreversíveis podem acontecer por excesso de confiança.

O Arquiteto júnior, como chamamos os arquitetos que acabaram de sair da faculdade de arquitetura, não tem a maturidade e experiência profissional, pelos motivos já descritos em artigos anteriormente, para iniciar uma carreira solo, ou seja, abrir seu próprio escritório de arquitetura.

Independente da profissão, todo profissional seja ele arquiteto, medico ou advogado, tem um nome a zelar, uma reputação a ser preservada e quem já está no mercado há alguns anos sabe que no nosso meio a forma mais comum de indicar, conquistar ou perder clientes é pela indicação do famoso boca a boca.

Assim como um profissional pode ser recomendado por um cliente pelo bom trabalho executado, ele pode também da mesma forma comprometer sua carreira. A velocidade com que a má indicação acontece é sempre mais veloz do que a da boa indicação. Como diz o ditado: notícia ruim corre rápido.

A minha grande preocupação é que sendo levados pelo sonho e entusiasmo de ter um próprio negócio, o jovem Arquiteto pode sem querer comprometer a sua carreira logo no início, devido à falta de competência que advém da falta de experiência profissional.

A importância da experiência profissional

Para conseguir abrir seu escritório, prospectar clientes, ter uma rede de fornecedores e parceiros de qualidade, e tudo mais que um escritório precisa para se estabelecer, é preciso mais que uma graduação.

Não se consegue sem um bom network e o network só acontece quando você passa a fazer parte de um meio comercial, ou seja, uma empresa já estabelecida, com contatos reais.

É muito difícil um Arquiteto Junior recém-saído da faculdade ter uma rede de relacionamentos boa o suficiente para trabalhar e ser reconhecido profissionalmente em sua região.

Nossa área é movida a portfólio, reconhecimento profissional dos colegas e dos clientes através de um bom relacionamento comercial.

Não é só você que tem um sonho, o seu cliente na maioria das vezes também tem.

E um projeto de um novo lar que foi sonhado há muito tempo pelo seu cliente é algo muito valioso e importante para ele colocar nas mãos de um “aventureiro”.

Muitas vezes quando se está começando na carreira, para conseguir clientes e começar a trabalhar, o profissional pratica preços mais atrativos. Porém hoje em dia o cliente desconfiado já tem consciência de que alguns casos o barato pode sim sair caro e acabar optando pela segurança de ter como seu arquiteto um profissional com um bom portfolio, além de muito boas referências na praça. Assim o círculo pode se fechar e o jovem profissional não vai sair do lugar.

Existe um consenso entre os profissionais que já avançaram um pouco mais em tempo e experiência na carreira que, quando se sai da faculdade o meio mais eficiente de ingressar no mercado é ingressar nos escritórios de arquitetura, empresas e construtoras que já estão atuando no mercado.

Fazer parte de uma empresa vai proporcionar ao jovem profissional uma bagagem e uma experiência que vão culminar lá na frente de forma consequencial em vivência profissional e networking, que vão dar ao profissional mais segurança para se traçar uma nova trajetória em sua carreira.

Mas isso não acontece do dia para noite e varia muito de pessoa para pessoa.

O mercado não tem tempo a perder com quem não tem experiência.

Não se iluda, pois a mentira tem perna curta!

O seu cliente vai perceber, seja pela sua postura e nível de conhecimento ou por um erro cometido de forma amadora, que você não está totalmente maduro para desenvolver o trabalho que está propondo realizar.

Por isso eu insisto que é preciso, ainda na condição de aprendiz, que o aluno, seja na faculdade, depois dela ou por outros meios, seja orientado quanto a vida do arquiteto na prática!

Não só em desenhar, desenhar e desenhar como a maioria pensa que é por viver isso na sala de aula.

Ser arquiteto é muito mais do que estão vendendo até mesmo nas faculdades ou nas redes sociais e cabe a você buscar pelas informações que vão te capacitar além do conhecimento dentro da sala de aula, bem como formar o seu próprio senso crítico.

Essa postura preserva você não só de erros amadores de baixa consequência, fruto da pouca experiência, mas vai te ajudar também a se resguardar de erros de gravíssimas e irreversíveis consequências.

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