Depois o rack.
E, em muitos casos, praticamente todos os assentos terminavam olhando para a mesma parede.
Transforme referências em ambientes com identidade
Desenvolva seu olhar para combinar materiais, cores, iluminação e proporções em projetos de interiores.
Conhecer Design de Interiores Total →Mas uma mudança começa a aparecer nas previsões de interiores para 2027: a sala está voltando a ganhar pequenas atividades que não dependem de uma tela.
Mesas para cartas e jogos, cantos de leitura, poltronas voltadas para conversar, música e até quebra-cabeças começam a reaparecer como parte da decoração — não escondidos em um cômodo de lazer.
E essa tendência é mais interessante do que parece.
Ela não fala apenas de móveis. Fala de como queremos usar a casa.
Use IA para tirar ideias do papel com mais velocidade
Entre na comunidade com arquitetos, estudantes e entusiastas para explorar ferramentas e referências práticas.
Entrar na comunidade ArqGPT →O que está mudando na sala?
| Antes | Sala organizada principalmente em torno da televisão |
|---|---|
| Agora | Mais de uma atividade convivendo no mesmo ambiente |
| O que reaparece | Mesas de jogos, cantos de leitura e áreas de conversa |
| Em apartamento pequeno | Um móvel pode cumprir duas ou três funções |
| Isso significa tirar a TV? | Não. Significa deixar de tratá-la como a única atividade possível. |
A TV deixou de ser a única protagonista da sala
Não existe sinal de que a televisão esteja desaparecendo da casa.
A mudança é mais sutil.
A tela continua ali, mas começa a dividir espaço com outras formas de permanência.
Uma poltrona pode olhar para uma estante em vez de diretamente para o televisor.
Mais repertório para você projetar, decorar e criar
Reunimos materiais, aulas e inspirações para quem quer desenvolver o olhar.
Acessar conteúdos gratuitos →Uma pequena mesa pode ficar pronta para cartas, xadrez, desenho ou quebra-cabeça.
Um canto vazio perto da janela pode ganhar uma luminária e se transformar em lugar de leitura.
Ou seja: a sala passa a oferecer escolhas.
Isso acompanha um movimento que já apareceu em outras transformações recentes da casa.
Na A Arquiteta, vimos algo parecido quando analisamos o retorno das pequenas áreas de jantar e o crescimento das listening rooms e cantos para ouvir música.
Em ambos os casos, existe a mesma ideia por trás:
reservar dentro da casa um lugar que convida a fazer algo com intenção.

Por que as mesas de jogos estão voltando?
O sinal ficou particularmente forte em 2026.
A Architectural Digest chamou atenção para o crescimento de mesas de jogos dentro dos interiores residenciais, relacionando esse retorno ao interesse renovado por atividades como cartas, mahjong e quebra-cabeças.
Agora, entre as previsões para salas em 2027, designers ouvidos pela Southern Living também apontam as mesas de jogos como um elemento que deve aparecer com mais frequência.
Na prática, elas estão deixando de ser tratadas como equipamento que precisa ser escondido depois de usar.
Passam a fazer parte do mobiliário.
E há uma diferença importante nisso.
Quando uma atividade ganha um lugar permanente, fica mais fácil ela realmente acontecer.
Um jogo guardado no fundo do armário exige uma sequência:
- lembrar que ele existe;
- retirá-lo;
- encontrar uma superfície;
- abrir espaço;
- organizar tudo;
- guardar novamente depois.
Quando já existe uma mesa adequada, parte desse atrito desaparece.
A arquitetura começa a influenciar o hábito.
Mas não estamos falando de criar uma “sala de jogos”
Esse é justamente o ponto em que uma tendência internacional precisa ser traduzida para a realidade brasileira.
Em muitas casas e, principalmente, apartamentos, simplesmente não existe um cômodo disponível para virar:
- biblioteca;
- sala de jogos;
- listening room;
- home bar;
- ou qualquer outro ambiente especializado.
E não precisa existir.
O conceito mais útil é criar uma pequena zona de atividade dentro de um ambiente que já existe.
Às vezes são necessários apenas:
- uma mesa pequena;
- duas cadeiras;
- uma luminária;
- um lugar para guardar objetos;
- e circulação suficiente para usar tudo com conforto.
Isso pode ocupar uma extremidade da sala, a área próxima a uma janela ou aquele canto em que hoje existe apenas uma cadeira decorativa que quase ninguém usa.

O melhor canto analógico talvez já exista na sua sala
Faça um teste simples.
Entre na sala e procure um espaço que esteja ocupado, mas pouco usado.
Pode ser:
- uma poltrona que serve apenas para preencher um canto;
- um aparador cheio de objetos;
- uma mesa lateral grande;
- um pedaço da sala distante da televisão;
- o encontro entre sala e varanda;
- um trecho próximo à estante.
Agora faça outra pergunta:
que atividade poderia acontecer aqui?
Essa pergunta é mais interessante do que simplesmente perguntar “o que eu poderia colocar neste canto?”.
Porque muda a lógica da decoração.
Primeiro vem o uso.
Depois vem o objeto.
5 maneiras de criar um canto sem tela mesmo em uma sala pequena
1. Uma mesa redonda pequena para duas ou quatro pessoas
É provavelmente a solução mais versátil.
Pode servir para:
- jogos;
- cartas;
- desenho;
- quebra-cabeça;
- café;
- refeição;
- trabalho eventual.
Em vez de pensar nela como “mesa de jogos”, pense como uma superfície social.
Uma mesa redonda também pode ajudar em espaços compactos porque elimina quinas nas áreas de passagem — desde que o diâmetro e as cadeiras sejam compatíveis com o ambiente.
2. Poltrona + luminária + apoio
É o menor canto analógico possível.
Uma poltrona confortável, uma fonte de luz e uma pequena superfície de apoio já podem criar um lugar para:
- ler;
- ouvir música;
- tomar café;
- descansar;
- conversar.
O importante é que a posição da poltrona não seja determinada automaticamente pela televisão.
3. Banco junto à janela
Quando a planta permite, a área próxima à janela pode se transformar em um pequeno ponto de permanência.
Não precisa ser um banco planejado complexo.
Dependendo do espaço, uma poltrona ou um banco móvel pode cumprir a mesma função.
4. Mesa extensível
Para quem realmente não tem espaço sobrando, uma peça que muda de tamanho pode ser mais interessante do que criar uma área permanente.
Fechada, ocupa pouco.
Aberta, pode acomodar uma refeição, um jogo ou uma atividade compartilhada.
5. Um móvel que guarda a própria atividade
Essa é uma das soluções mais úteis.
Se a mesa será usada para jogos, por exemplo, vale ter perto dela:
- gaveta;
- cesto;
- armário;
- prateleira;
- baú.
Quanto menor o esforço necessário para começar e terminar a atividade, maior a chance de o espaço entrar na rotina.
O segredo não é “ficar sem tela”. É ter mais de uma opção
A expressão “screen-free” aparece cada vez mais quando essas tendências são discutidas.
Mas transformar isso em uma guerra contra televisão e celular provavelmente perde o ponto principal.
A casa não precisa impor um detox digital.
Ela pode simplesmente oferecer alternativas suficientemente boas para competir com a tela de vez em quando.
Um livro fica mais convidativo se existe um lugar confortável para lê-lo.
Um jogo acontece com mais facilidade quando existe uma superfície adequada.
A música pode deixar de ser apenas som de fundo quando existe um assento dedicado à escuta.
A conversa dura mais quando as pessoas conseguem olhar umas para as outras.
Arquitetura não determina comportamento.
Mas pode facilitar ou dificultar aquilo que fazemos.
O dado que ajuda a explicar essa mudança
O retorno dessas pequenas atividades também acontece em um momento em que a sala está ficando mais multifuncional.
No relatório de tendências de outono e inverno de 2026 da Thumbtack, divulgado pela Better Homes & Gardens, 52% dos proprietários pesquisados disseram estar adaptando salas de estar para usos flexíveis.
Nas salas de jantar, o percentual foi de 39%.
Isso ajuda a explicar por que a tendência não precisa resultar em um novo cômodo.
Em vez disso, o mesmo ambiente passa a acomodar diferentes momentos do dia.
De manhã, leitura.
À tarde, trabalho eventual.
À noite, jogo ou conversa.
Nos fins de semana, receber alguém.
O espaço fica mais específico para a vida e menos específico para uma única função.
Até o mercado imobiliário começou a registrar essa vontade de desligar um pouco
Existe outro sinal interessante.
Na análise de tendências residenciais da Zillow para 2026, as menções a “reading nooks” — pequenos cantos de leitura — cresceram 48% nos anúncios analisados.
A empresa relacionou esse crescimento à procura por lugares tranquilos para deixar o telefone de lado e desacelerar.
Isso não prova que todo mundo esteja abandonando as telas.
Mas reforça a mesma mudança observada no design:
pequenos lugares destinados a atividades específicas voltaram a ter valor dentro da casa.
A mesa de jogos pode ser, na verdade, a nova mesa coringa
Aqui está talvez a adaptação mais interessante para apartamentos brasileiros.
Não compre necessariamente uma peça que só consiga servir para um jogo.
Uma boa mesa compacta pode cumprir três funções:
| Momento | Uso | O que precisa funcionar |
|---|---|---|
| Dia a dia | Café ou refeição rápida | Superfície fácil de limpar e cadeiras confortáveis |
| Uso eventual | Notebook, desenho ou atividade manual | Tomada próxima e iluminação adequada |
| Lazer | Cartas, jogos ou quebra-cabeça | Espaço para abrir cadeiras e apoio para guardar materiais |
Essa é uma diferença importante entre copiar uma tendência e adaptá-la.
Em uma sala pequena, cada metro quadrado precisa justificar sua presença.
Antes da mesa, meça as cadeiras abertas
Um erro comum é medir apenas o tampo.
Uma mesa pode caber perfeitamente no canto quando está vazia e deixar de funcionar assim que alguém puxa uma cadeira.
Antes de comprar, simule:
- o tamanho do tampo;
- a profundidade da cadeira;
- o espaço necessário para sentar;
- a passagem atrás de quem estiver sentado;
- a abertura de portas e armários próximos.
Use fita crepe no piso, caixas ou móveis existentes para testar o volume real.
É mais confiável do que imaginar a peça apenas pelas medidas da loja.
O mesmo vale para um canto de leitura
Uma fotografia pode mostrar uma poltrona linda perto de uma estante.
Mas um bom canto de leitura precisa responder a perguntas práticas:
- a cadeira é confortável por mais de dez minutos?
- há luz suficiente?
- existe apoio para livro, óculos ou copo?
- a circulação continua funcionando?
- o sol direto torna o lugar quente demais em certos horários?
Se essas respostas não forem consideradas, o “reading nook” pode virar apenas um cenário bonito que ninguém usa.
O maior erro é criar um canto analógico só para parecer tendência
Uma mesa de xadrez que ninguém joga.
Uma coleção de discos para quem só usa streaming.
Uma poltrona de leitura desconfortável.
Uma mesa de jogos tão grande que bloqueia a circulação.
Isso troca uma sala organizada em torno da televisão por outro tipo de decoração cenográfica.
A pergunta correta é:
o que as pessoas desta casa realmente gostam de fazer juntas — ou sozinhas?
Para uma família, pode ser jogo de cartas.
Para outra, desenho.
Para outra, música.
Para outra, livros.
E para muita gente talvez continue sendo assistir a um filme.
Não há problema nisso.
A tendência só fica interessante quando serve à vida real.
3 níveis para testar a ideia sem reformar a sala
Antes de comprar móveis ou alterar marcenaria, experimente este método.
Nível 1 — reposicione
Mude uma poltrona de direção.
Use uma mesa que já existe.
Leve uma luminária para outro canto.
Observe se a atividade acontece.
Nível 2 — equipe
Se o lugar começou a ser usado, acrescente aquilo que está fazendo falta:
- luz;
- apoio;
- armazenamento;
- cadeira melhor;
- tomada acessível.
Nível 3 — consolide
Só depois considere:
- móvel novo;
- marcenaria;
- banco fixo;
- iluminação instalada;
- mudanças maiores de layout.
Primeiro teste o hábito. Depois projete o espaço definitivo.
E a televisão?
Pode continuar exatamente onde está.
O que muda é a hierarquia.
Em vez de:
TV → sofá → resto da sala
o ambiente pode funcionar como:
área de TV + área de conversa + pequena atividade complementar
Isso é particularmente útil em salas um pouco mais compridas ou integradas.
Um tapete, uma luminária, uma estante ou a própria orientação do mobiliário podem ajudar a sinalizar cada zona sem construir paredes.
Isso também explica por que a sala está ficando menos “combinadinha”
Quando um ambiente precisa acomodar mais atividades, ele naturalmente tende a reunir móveis diferentes.
A poltrona de leitura não precisa pertencer ao mesmo conjunto do sofá.
A mesa usada para jogos pode ter outra madeira.
Uma cadeira antiga pode ganhar nova função.
Uma pequena estante pode existir porque guarda livros e jogos, não porque completa um conjunto de móveis.
Essa lógica acompanha outra mudança que estamos observando na decoração: casas que parecem construídas ao longo do tempo, em vez de compradas prontas como um kit.
Veja por que a decoração toda combinando também está perdendo espaço
.
Então a sala do futuro é mais “antiga”?
Em certo sentido, algumas atividades são antigas.
Cartas, leitura, música, conversa e jogos domésticos obviamente não nasceram em 2027.
O que mudou foi a forma como voltaram a ser tratados pelo design.
Não como nostalgia literal.
Mas como resposta a uma casa que passou anos acumulando telas e funções digitais.
Essa talvez seja a parte mais interessante da tendência:
o novo luxo não é necessariamente adicionar mais tecnologia à sala. Pode ser criar um lugar em que existe algo interessante para fazer quando a tela está desligada.
Checklist: existe espaço para um canto mais analógico na sua sala?
- Existe algum canto ocupado por um móvel pouco utilizado?
- Todos os assentos estão obrigatoriamente apontados para a televisão?
- Há uma atividade que as pessoas da casa já gostam de fazer?
- Existe uma superfície que poderia atender mais de uma função?
- É possível puxar uma cadeira sem bloquear a passagem?
- Há iluminação suficiente para leitura, jogo ou atividade manual?
- Os objetos necessários podem ficar guardados por perto?
- É possível testar a ideia antes de comprar móveis novos?
Em resumo
A sala analógica não significa uma casa sem internet, televisão ou celular.
Também não exige uma sala de jogos exclusiva.
A mudança é muito mais simples:
- uma mesa pequena;
- uma poltrona que não olha apenas para a TV;
- um canto de leitura;
- um lugar para ouvir música;
- uma superfície para jogar;
- assentos que favorecem conversa.
São pequenas decisões que devolvem à sala algo que ela sempre teve antes de virar uma extensão da tela:
motivos para permanecer ali fazendo alguma coisa juntos.
E talvez seja por isso que mesas de jogos e outros espaços analógicos estejam reaparecendo justamente agora.
Leia também na A Arquiteta
Continue a conversa com a A Arquiteta
Escolha a comunidade que combina com o seu momento e participe gratuitamente pelo WhatsApp.
