Casa térrea integrada ao jardim: 7 decisões de projeto que fazem diferença

Uma casa térrea integrada ao jardim não depende apenas de portas grandes de vidro ou de muita vegetação ao redor. O resultado começa muito antes, na implantação da construção, na escolha de onde abrir e fechar a planta, na posição dos ambientes e na maneira como arquitetura e paisagismo são pensados juntos.

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Um projeto brasileiro ajuda a colocar esse assunto novamente em evidência. O escritório de Marilia Pellegrini foi incluído no Architects’ Directory 2026 da Wallpaper*, seleção internacional dedicada a práticas emergentes de arquitetura. Entre os trabalhos destacados está a Casa das Palmeiras, em Alphaville, São Paulo.

Não é necessário reproduzir a casa — nem sua estética — para aprender com ela. O mais interessante é entender quais problemas arquitetônicos estão sendo resolvidos.

1. A integração com o jardim começa na implantação

Um erro comum é desenhar primeiro a casa e pensar no jardim apenas quando sobra espaço no terreno.

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Quando arquitetura e área externa realmente funcionam juntas, as duas precisam ser discutidas desde o início.

Antes de definir a planta, vale observar:

  • orientação do lote;
  • posição do sol;
  • ventos predominantes;
  • vistas interessantes;
  • vistas que precisam ser bloqueadas;
  • construções vizinhas;
  • árvores existentes;
  • áreas permeáveis;
  • acessos;
  • privacidade.

Esses fatores ajudam a determinar para onde sala, cozinha, quartos e áreas de circulação devem olhar.

Na Casa das Palmeiras, a própria presença das palmeiras existentes no terreno fez parte da concepção do projeto, segundo a publicação original da obra. A residência foi implantada como um volume térreo baixo, parcialmente inserido no terreno e cercado pela vegetação.

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O princípio que pode ser aproveitado em outros projetos é simples:

não desenhe a casa como se o terreno fosse uma folha vazia.

Imagem ilustrativa: integrar uma casa térrea ao jardim depende da implantação, das aberturas, da privacidade e da relação entre arquitetura e paisagismo.
Imagem ilustrativa: integrar uma casa térrea ao jardim depende da implantação, das aberturas, da privacidade e da relação entre arquitetura e paisagismo.

2. Privacidade não significa fechar a casa inteira

Uma residência pode ser reservada para a rua e bastante aberta para o interior do lote.

Essa é uma solução especialmente interessante em áreas urbanas.

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Na Casa das Palmeiras, a Wallpaper* descreve uma fachada relativamente opaca voltada para a rua, enquanto os ambientes internos se abrem para o jardim e para as áreas externas protegidas.

Isso mostra uma diferença importante entre:

casa fechada e casa seletivamente aberta.

Em vez de distribuir grandes janelas para todos os lados, o projeto pode escolher onde a transparência realmente interessa.

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Por exemplo:

  • sala voltada para quintal privativo;
  • quarto aberto para jardim lateral protegido;
  • cozinha com vista para pátio;
  • fachada frontal mais controlada;
  • áreas de serviço protegidas das principais vistas.

Esse raciocínio pode funcionar tanto em uma residência ampla quanto em um lote urbano compacto.

3. Uma casa térrea pode parecer ampla sem ser gigantesca

Amplitude não depende apenas de metragem.

Alguns recursos influenciam bastante a percepção espacial:

  • continuidade visual;
  • alinhamento de aberturas;
  • relação com o exterior;
  • poucos materiais;
  • integração entre ambientes;
  • vistas mais longas;
  • entrada de luz natural.

Quando o olhar atravessa sala, varanda e jardim, por exemplo, a percepção não termina na parede interna.

O espaço exterior passa a participar visualmente do ambiente.

Isso não significa que seja preciso eliminar todas as divisórias.

Uma casa pode manter quartos, serviços e áreas privadas claramente separados e ainda assim criar continuidade na área social.

O A Arquiteta já possui um artigo sobre plantas de casas térreas com conceito aberto e iluminação natural, que pode complementar essa discussão sobre integração entre ambientes.

Imagem ilustrativa: integrar uma casa térrea ao jardim depende da implantação, das aberturas, da privacidade e da relação entre arquitetura e paisagismo.
Imagem ilustrativa: integrar uma casa térrea ao jardim depende da implantação, das aberturas, da privacidade e da relação entre arquitetura e paisagismo.

4. O jardim pode funcionar como parte da arquitetura

Há uma diferença grande entre ter plantas ao redor de uma casa e projetar uma casa em relação à vegetação.

Quando o paisagismo entra desde o início, ele pode cumprir funções espaciais.

A vegetação pode:

  • enquadrar uma vista;
  • criar privacidade;
  • proteger determinados trechos;
  • marcar um percurso;
  • produzir sombra;
  • suavizar a relação com muros;
  • criar transição entre interior e exterior.

Isso é mais interessante do que utilizar plantas apenas para preencher espaços vazios.

No caso da Casa das Palmeiras, a paisagem foi desenvolvida por Renata Tilli e participa diretamente da relação entre os volumes construídos e as áreas abertas.

No A Arquiteta, o artigo sobre integração entre jardins frontais e arquitetura aborda uma parte dessa relação entre paisagismo e edificação.

Aqui, porém, vale ampliar a ideia para o lote inteiro.

O jardim pode fazer parte:

  • da sala;
  • do corredor;
  • do quarto;
  • da entrada;
  • de um pátio interno;
  • da transição entre dois setores.

5. Integrar interior e exterior não significa colocar vidro em todos os lados

Grandes esquadrias aparecem com frequência em casas contemporâneas, mas vidro não é sinônimo automático de integração.

Uma abertura só funciona bem quando o que acontece ao redor dela também foi resolvido.

Antes de aumentar o vão, pergunte:

Para onde ele olha?

Há sombra?

Existe privacidade?

A chuva alcança essa abertura?

O sol entra diretamente?

Há circulação do lado de fora?

O mobiliário consegue conviver com essa abertura?

Uma porta de vidro enorme voltada para uma área inutilizável pode oferecer menos qualidade espacial que uma abertura menor voltada para um jardim bem posicionado.

A integração depende do conjunto:

abertura + exterior + proteção + orientação + uso.

6. Sombra é tão importante quanto abertura

No clima brasileiro, abrir a casa para o jardim precisa ser acompanhado de controle solar.

Grandes superfícies transparentes podem trazer:

  • luz;
  • vistas;
  • continuidade;

mas também podem receber bastante radiação solar.

Por isso entram elementos como:

  • beirais;
  • varandas;
  • brises;
  • vegetação;
  • venezianas;
  • elementos vazados.

A orientação da fachada importa.

Uma solução que funciona em uma determinada direção pode ter comportamento muito diferente em outra.

O artigo do A Arquiteta sobre brise-soleil e proteção das fachadas aprofunda esse tipo de recurso arquitetônico.

Também vale relacionar essas decisões com os princípios de arquitetura bioclimática, em que implantação, sol, vento e características locais devem participar das escolhas de projeto.

7. Poucos materiais podem ajudar a conectar os ambientes

Outro recurso presente na Casa das Palmeiras é uma paleta relativamente controlada.

A Wallpaper* descreve materiais claros, pedra bege e madeira clara utilizados nos interiores e áreas de transição.

O interessante não é copiar essa combinação.

A lição está em evitar fragmentação excessiva.

Imagine uma casa em que cada ambiente recebe:

  • um piso;
  • uma madeira;
  • uma pedra;
  • uma cor;
  • um revestimento.

Quando vários espaços são vistos ao mesmo tempo, essa quantidade de informações pode dificultar a continuidade visual.

Uma paleta mais enxuta tende a permitir que arquitetura, luz e jardim tenham maior presença.

Isso não significa usar tudo igual.

É possível criar variação mantendo relações entre:

  • tons;
  • texturas;
  • materiais;
  • proporções.

Casa térrea não precisa ser totalmente aberta

Existe uma ideia recorrente de que casa contemporânea deve ter todos os ambientes conectados.

Não precisa.

Integração funciona melhor quando acompanha a rotina.

Uma família pode querer:

  • sala e jantar integrados;
  • cozinha parcialmente separada;
  • escritório fechado;
  • dormitórios bastante privados;
  • varanda conectada à sala.

Outra família pode usar a casa de maneira completamente diferente.

O projeto deve definir o que merece integração e o que merece separação.

Esse cuidado é especialmente importante em uma casa térrea porque praticamente todos os usos acontecem no mesmo pavimento.

A circulação fica ainda mais importante em um único piso

Em um sobrado, a escada ajuda a separar áreas sociais e íntimas.

Na residência térrea, essa transição precisa acontecer horizontalmente.

Por isso é importante observar:

  • entrada dos visitantes;
  • acesso aos quartos;
  • acesso de serviço;
  • ligação com garagem;
  • percurso até o jardim;
  • passagem entre cozinha e área externa.

Um corredor bem posicionado pode preservar a privacidade dos dormitórios.

Um jardim ou pátio também pode funcionar como elemento de transição.

O problema surge quando a integração faz com que todo mundo atravesse todos os ambientes para chegar a qualquer lugar.

Planta aberta não significa circulação sem hierarquia.

Jardim interno pode funcionar quando as divisas limitam as aberturas

Nem todo terreno permite uma grande fachada aberta para os fundos.

Em lotes mais estreitos ou cercados por construções próximas, um pátio interno pode ser uma alternativa.

Ele pode ajudar a levar:

  • luz;
  • ventilação;
  • vegetação;
  • vista;

para áreas mais internas da planta.

Mas o pátio precisa ter dimensões e localização coerentes.

Um vão estreito demais, cercado por paredes muito altas, pode receber pouca luz e se tornar difícil de manter.

Novamente, o importante não é adotar a solução porque ela aparece bonita em referências, mas entender qual problema ela resolve naquela planta.

Uma única árvore pode mudar a experiência de um ambiente

Não é preciso ter um jardim enorme para estabelecer relação com vegetação.

Em alguns projetos, basta pensar cuidadosamente:

  • onde está a janela;
  • onde está a árvore;
  • o que será visto de dentro.

Uma árvore enquadrada por uma abertura pode criar uma presença muito maior do que dezenas de pequenos vasos espalhados.

O mesmo princípio vale para:

  • jardim lateral;
  • canteiro estreito;
  • pátio;
  • pequeno quintal.

Isso é especialmente útil em terrenos urbanos.

A vegetação precisa ser pensada no tamanho adulto

A árvore plantada hoje não terá sempre aquela dimensão.

Antes de aproximar vegetação da construção, avalie:

  • porte adulto;
  • raiz;
  • copa;
  • queda de folhas;
  • necessidade de poda;
  • distância de muros;
  • proximidade de calhas;
  • interferência nas esquadrias;
  • disponibilidade de luz.

Paisagismo integrado à arquitetura não significa colocar plantas o mais próximo possível da casa.

Significa planejar como os dois sistemas conviverão ao longo do tempo.

Para espécies, manejo e decisões específicas de jardim, vale manter esse aprofundamento nos conteúdos da categoria Jardinagem, em vez de transformar este artigo de arquitetura em uma lista de plantas.

Integração também precisa funcionar em dias de chuva

Fotografias de arquitetura normalmente mostram os espaços em sua melhor condição.

A obra real precisa funcionar também quando chove.

Em uma abertura entre sala e jardim, o detalhamento deve considerar:

  • caimento do piso;
  • drenagem;
  • ralos;
  • impermeabilização;
  • proteção da esquadria;
  • respingos;
  • soleira;
  • diferença de nível quando necessária.

A vontade de criar uma transição visual quase imperceptível não pode eliminar requisitos técnicos.

Impermeabilização, drenagem e detalhes construtivos precisam ser definidos conforme o sistema utilizado e compatibilizados por profissionais habilitados.

E quando a casa precisa de acessibilidade?

A relação entre interior e jardim também deve considerar circulação acessível quando aplicável.

Soluções que dependem de degraus, mudanças abruptas de nível ou soleiras altas podem dificultar o uso para:

  • idosos;
  • pessoas com mobilidade reduzida;
  • usuários de cadeira de rodas;
  • pessoas com carrinho infantil.

Por isso, continuidade visual e continuidade física são coisas diferentes.

Uma transição elegante precisa também responder ao uso real.

O que uma casa menor pode aproveitar dessa lógica?

Praticamente todos os princípios podem ser reduzidos de escala.

Em vez de grande jardim

Um canteiro lateral bem posicionado.

Em vez de pátio monumental

Um pequeno jardim interno.

Em vez de vários panos de vidro

Uma abertura estratégica para a melhor vista.

Em vez de dezenas de revestimentos

Uma paleta curta de materiais.

Em vez de abrir toda a fachada

Selecionar um trecho protegido e privativo.

Em vez de paisagismo complexo

Poucas espécies adequadas ao local.

É isso que torna uma boa referência útil.

Não é a dimensão da casa que deve ser copiada.

É o raciocínio arquitetônico.

O que vale copiar de uma referência — e o que não vale

Referência visualMelhor pergunta de projeto
Grande porta de vidroPara onde minha casa deveria se abrir?
Jardim exuberanteOnde a vegetação faria diferença para os ambientes?
Casa térrea horizontalComo a implantação pode aproveitar melhor meu terreno?
Pedra e madeiraComo reduzir a fragmentação dos materiais?
Planta integradaQuais ambientes realmente precisam estar conectados?
Fachada fechadaOnde preciso de privacidade?
Beiral amploQue proteção solar minha orientação exige?

Essa tabela resume uma mudança importante:

inspirar-se não significa reproduzir a forma.

Significa identificar o problema resolvido.

Por que a Casa das Palmeiras entrou nesta conversa?

Porque a casa ganhou nova visibilidade em 2026.

A arquiteta Marilia Pellegrini integra a edição atual do Wallpaper Architects’ Directory*, publicação criada em 2000 para apresentar práticas emergentes de diferentes países. A edição de 2026 reúne 30 escritórios e inclui o Brasil.

A Casa das Palmeiras não é nova: ela já havia sido publicada pela própria Wallpaper* em agosto de 2024. O que é atual agora é a inclusão do escritório no diretório de 2026.

Essa distinção é importante.

Não estamos apresentando a residência como lançamento de 2026 nem dizendo que ela representa uma “nova tendência”.

Ela está sendo usada como uma boa referência para discutir arquitetura residencial porque voltou ao debate editorial neste momento.

E por que não mostramos a fotografia da casa neste artigo?

As fotografias publicadas da Casa das Palmeiras são creditadas ao fotógrafo Fran Parente.

Como imagem publicada não significa automaticamente imagem liberada para reutilização, o A Arquiteta não precisa reproduzir essas fotografias para fazer a análise.

Quem quiser conhecer visualmente o projeto original pode consultar a reportagem da Wallpaper* sobre Marilia Pellegrini e a Casa das Palmeiras.

Também é possível consultar o site oficial do escritório Marilia Pellegrini Arquitetura.

A imagem que acompanha este artigo é ilustrativa e representa os princípios arquitetônicos discutidos aqui, não a Casa das Palmeiras.

A principal lição está na relação, não no estilo

É fácil olhar para uma residência publicada e prestar atenção primeiro em:

  • curvas;
  • pedra;
  • madeira;
  • móveis;
  • vegetação.

Mas os elementos mais interessantes costumam estar nas relações entre eles.

A arquitetura decide:

onde construir;

onde deixar vazio;

para onde olhar;

onde fechar;

onde abrir;

como chegar;

onde permanecer.

O jardim pode reforçar essas decisões.

Os materiais podem dar continuidade.

As aberturas podem conectar espaços.

Mas nenhuma dessas escolhas funciona isoladamente.

É por isso que uma casa térrea integrada ao jardim não começa na escolha das plantas nem na compra de uma grande esquadria.

Começa na planta e na implantação.

Antes de perguntar “como deixar minha casa parecida com esta referência?”, vale fazer uma pergunta muito mais útil:

qual problema arquitetônico preciso resolver no meu terreno?

É daí que nasce um projeto realmente próprio.

Quem é Marilia Pellegrini?

Marilia Pellegrini é arquiteta baseada em São Paulo e mantém escritório próprio desde 2016. Segundo a Wallpaper*, sua atuação reúne arquitetura, interiores e desenho de mobiliário, com a natureza aparecendo como uma influência recorrente em seu processo criativo. Em 2026, seu escritório foi incluído no Wallpaper Architects’ Directory*, seleção internacional dedicada a práticas emergentes de arquitetura.

Entre os projetos destacados está a Casa das Palmeiras, em Alphaville, São Paulo. A residência térrea trabalha um volume baixo, uma fachada mais reservada voltada para a rua e ambientes internos abertos para o jardim, com paisagismo de Renata Tilli e fotografias de Fran Parente.

Quem quiser conhecer visualmente a obra pode acessar a reportagem da Wallpaper* sobre Marilia Pellegrini e a Casa das Palmeiras ou a publicação da Casa das Palmeiras no site oficial do escritório. As imagens publicadas são protegidas por direitos autorais, por isso o ideal é consultá-las nas fontes originais ou obter autorização antes de reutilizá-las.

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Luciana Paixão
Luciana Paixãohttps://www.aarquiteta.com.br
Luciana Paixão, arquiteta e instrutora renomada, autora do "Guia Abrangente para Aprovação de Projetos de Prefeituras", é reconhecida desde 2013 no campo da arquitetura. Destacada como Mente Influente pela Revista "Negócios da Comunicação" e premiada por seu trabalho em mídias sociais, Luciana acumula mais de 400.000 seguidores, consolidando sua posição de liderança no setor.