Arquitetos contemporâneos: nomes e obras que ajudam a entender a arquitetura atual

Quem são os arquitetos contemporâneos que vale conhecer hoje? A resposta não passa necessariamente pelos nomes “mais famosos”, mas por profissionais cuja obra ajuda a entender as principais questões da arquitetura do nosso tempo: clima, habitação, reutilização de edifícios, materiais, espaço público, identidade cultural e novas maneiras de construir.

Por isso, esta seleção não pretende criar um ranking.

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Os arquitetos apresentados aqui trabalham em contextos muito diferentes e chegam a resultados visualmente distintos. É justamente essa diversidade que torna a lista interessante.

A arquitetura contemporânea não possui um único estilo. Como vimos no artigo sobre o que é arquitetura contemporânea, ela reúne respostas diferentes para problemas atuais.

Conhecer esses profissionais é uma forma de observar essas respostas na prática.

O que significa ser um arquiteto contemporâneo?

Um arquiteto contemporâneo é, de maneira simples, um profissional cuja atuação pertence ao período atual.

Isso parece óbvio, mas evita uma confusão frequente.

Frank Lloyd Wright, Oscar Niemeyer, Lina Bo Bardi e outros grandes nomes continuam extremamente influentes sobre a arquitetura produzida hoje. Isso não significa, entretanto, que devam ser colocados na mesma categoria temporal de arquitetos atualmente em atividade.

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Frank Lloyd Wright, por exemplo, morreu em 1959. Oscar Niemeyer morreu em 2012. Lina Bo Bardi morreu em 1992.

Eles fazem parte da história da arquitetura e continuam alimentando o pensamento contemporâneo, mas isso é diferente de dizer que são arquitetos contemporâneos em atividade.

Nesta seleção, o foco está em profissionais cuja produção ajuda a compreender o que está sendo discutido e construído agora.

1. Francis Kéré: arquitetura começa pelo clima e pelas pessoas

O arquiteto Diébédo Francis Kéré nasceu em Gando, Burkina Faso, e mantém seu escritório em Berlim.

Sua obra é particularmente interessante porque desmonta a ideia de que inovação arquitetônica depende necessariamente de tecnologias caras ou materiais sofisticados.

Kéré trabalha intensamente com:

  • clima;
  • recursos disponíveis localmente;
  • participação comunitária;
  • ventilação natural;
  • materiais tradicionais reinterpretados;
  • espaços públicos e educacionais.

Em 2022, tornou-se o primeiro arquiteto africano negro a receber individualmente o Pritzker Architecture Prize. A organização do prêmio destacou justamente sua capacidade de combinar participação comunitária, materiais locais e respostas inteligentes às condições climáticas. (pritzkerprize.com)

Uma das obras fundamentais para entender sua trajetória é a Gando Primary School, em Burkina Faso.

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O projeto nasceu da necessidade concreta de criar uma escola para sua comunidade e explorou técnicas construtivas locais aliadas a estratégias para melhorar iluminação e conforto térmico.

Essa lógica continua presente na produção atual do escritório.

Em 2026, o Kéré Architecture mantém projetos em andamento que incluem museus, centros de saúde e edifícios institucionais em diferentes países. O escritório também trabalha no Museum Ehrhardt, na Alemanha, utilizando madeira e argila associadas a técnicas regionais. (kerearchitecture.com)

O que observar na obra de Kéré?

Não apenas a aparência.

Observe como coberturas, ventilação, materiais e espaços de encontro respondem às condições locais.

É uma boa lembrança de que arquitetura contemporânea não significa importar uma estética internacional para qualquer lugar.

“Neste vídeo, Francis Kéré explica como a necessidade de construir uma escola em sua comunidade de origem ajudou a definir uma maneira de projetar ligada ao clima, aos materiais disponíveis e à participação das pessoas.”

2. Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal: antes de demolir, veja o que pode permanecer

A dupla francesa Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal oferece uma das abordagens mais interessantes para uma questão cada vez mais importante: precisamos realmente demolir para construir melhor?

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Os dois receberam o Pritzker Architecture Prize em 2021.

Em vez de partir automaticamente da substituição de edifícios antigos, Lacaton e Vassal desenvolveram uma prática marcada por transformação, ampliação e reaproveitamento de estruturas existentes. (pritzkerprize.com)

Um dos exemplos mais conhecidos é a transformação de 530 unidades de habitação social no Grand Parc, em Bordeaux, realizada em parceria com Frédéric Druot e Christophe Hutin.

Em vez de demolir os edifícios, o projeto ampliou os apartamentos com novos espaços de transição e jardins de inverno.

O caso ajuda a enxergar uma questão contemporânea importante: às vezes, melhorar um edifício existente pode ser mais interessante do que substituí-lo.

O que observar?

A arquitetura aqui não depende de um objeto extravagante.

A força está na pergunta:

como oferecer mais espaço, luz e qualidade de vida aproveitando aquilo que já existe?

Essa abordagem ganha ainda mais importância diante do impacto material e ambiental das demolições e novas construções.

Edificio contemporaneo com madeira concreto areas de sombra e espaco publico integrado a vegetacao
Edificio contemporaneo com madeira concreto areas de sombra e espaco publico integrado a vegetacao

3. Marina Tabassum: arquitetura profundamente ligada ao lugar

A arquiteta Marina Tabassum trabalha a partir de Dhaka, Bangladesh.

Seu escritório define a própria atuação como uma busca por uma arquitetura contemporânea que permaneça profundamente enraizada no lugar, levando em consideração clima, geografia, cultura e história. (marinatabassumarchitects.com)

Essa descrição resume bem o interesse de sua obra.

Tabassum rejeita a ideia de uma arquitetura internacional que possa simplesmente ser repetida da mesma maneira em qualquer cidade.

Um dos projetos mais conhecidos de sua carreira é a Bait Ur Rouf Mosque, em Dhaka.

A construção utiliza tijolos e trabalha luz, ventilação e geometria de maneira muito cuidadosa, sem depender da reprodução literal de elementos tradicionais normalmente associados à arquitetura religiosa.

Seu escritório também pesquisa os efeitos das mudanças climáticas em Bangladesh e desenvolveu projetos relacionados a comunidades afetadas por inundações e deslocamentos.

O que observar?

Observe como arquitetura, clima e cultura aparecem juntos.

A obra de Tabassum mostra que ser contemporâneo não significa apagar a identidade de um lugar.

Pode significar justamente reinterpretá-la de maneira atual.

4. Lina Ghotmeh: memória, matéria e novas formas de construir

Lina Ghotmeh nasceu em Beirute e mantém seu escritório em Paris.

Sua prática investiga a relação entre arquitetura, memória, natureza e materialidade.

Um dos projetos que tornou esse pensamento especialmente visível foi o Serpentine Pavilion 2023, em Londres.

Chamado À table, o pavilhão foi concebido como um espaço de encontro organizado em torno de uma mesa coletiva.

Sua estrutura empregou madeira e materiais de origem biológica e baixo carbono, enquanto a cobertura se relacionava visualmente com as folhas das árvores do Kensington Gardens. (linaghotmeh.com)

O interessante não é simplesmente dizer que “a arquiteta usa madeira”.

O material faz parte de uma investigação maior sobre:

  • recursos;
  • memória;
  • cultura;
  • técnicas construtivas;
  • impacto ambiental;
  • experiência coletiva.

Entre seus projetos recentes estão também o pavilhão do Bahrein para a Expo 2025 Osaka, habitação em madeira e intervenções culturais. (linaghotmeh.com)

O que observar?

Perceba como materiais aparentemente tradicionais podem participar de uma linguagem totalmente contemporânea.

É outro exemplo de por que “arquitetura atual” não precisa significar apenas aço, concreto e vidro.

5. Jeanne Gang: edifícios como parte da cidade e do ecossistema

Jeanne Gang é arquiteta e fundadora do Studio Gang, escritório com atuação nos Estados Unidos e na Europa.

Sua produção vai de edifícios altos a museus, parques, universidades e projetos urbanos.

Entre suas obras mais conhecidas estão a Aqua Tower, em Chicago, e o Richard Gilder Center for Science, Education, and Innovation, no American Museum of Natural History, em Nova York. (studiogang.com)

Mas reduzir seu trabalho às formas marcantes desses edifícios seria perder parte importante da discussão.

O Studio Gang desenvolve pesquisas relacionadas a:

  • biodiversidade nas cidades;
  • fachadas mais seguras para aves;
  • reuso de edifícios;
  • madeira estrutural;
  • espaço público;
  • relação entre arquitetura e comunidade.

Projetos recentes do escritório incluem construções em madeira maciça, adaptação de estruturas existentes e intervenções urbanas. (studiogang.com)

O que observar?

Olhe para o edifício além de seus limites físicos.

Como ele interfere na rua?

Como se relaciona com pessoas, animais, vegetação e infraestrutura urbana?

A arquitetura contemporânea também está ampliando a escala das perguntas que faz.

Edificio contemporaneo com madeira concreto areas de sombra e espaco publico integrado a vegetacao
Edificio contemporaneo com madeira concreto areas de sombra e espaco publico integrado a vegetacao

6. Bjarke Ingels: programa, infraestrutura e arquitetura híbrida

O dinamarquês Bjarke Ingels fundou o BIG — Bjarke Ingels Group — e tornou-se um dos nomes mais conhecidos da arquitetura internacional recente.

Sua produção chama atenção pela tentativa frequente de combinar programas que normalmente apareceriam separados.

Habitação pode se relacionar com espaços públicos.

Infraestrutura pode se tornar paisagem.

Edifícios produtivos podem ganhar usos recreativos.

Esse interesse pela mistura de funções aparece em diferentes escalas do trabalho do BIG.

O portfólio atual do escritório inclui museus, edifícios culturais, residenciais, infraestrutura, planejamento urbano e projetos de adaptação climática, como o East Side Coastal Resiliency, em Nova York. (big.dk)

Uma de suas obras mais conhecidas é a usina CopenHill, em Copenhague, cuja cobertura recebeu uma pista de esqui artificial e áreas recreativas.

O projeto exemplifica bem uma característica recorrente de sua produção: perguntar se uma infraestrutura pode desempenhar mais de uma função na cidade.

O que observar?

Mais do que as formas inusitadas, observe como diferentes programas são combinados.

A obra de Bjarke Ingels também merece uma leitura crítica: projetos arquitetonicamente espetaculares não eliminam debates sobre escala, impacto, custo ou contexto.

Arquitetura contemporânea não precisa ser admirada sem questionamentos.

7. Carla Juaçaba: precisão estrutural e arquitetura brasileira contemporânea

Entre os nomes brasileiros em atividade, Carla Juaçaba oferece uma abordagem muito diferente da imagem internacionalmente difundida da “casa contemporânea de luxo”.

Formada e com prática inicialmente baseada no Rio de Janeiro, Juaçaba desenvolve projetos culturais, instalações, residências e pesquisa arquitetônica.

Entre seus trabalhos mais conhecidos estão o Pavilhão Humanidade 2012, desenvolvido com Bia Lessa para a Rio+20, e uma das Capelas do Vaticano construídas para a Bienal de Arquitetura de Veneza de 2018. (carlajuacaba.com)

Sua produção frequentemente utiliza poucos elementos, porém com grande importância estrutural e espacial.

Em 2026, a arquiteta continua em atividade entre Brasil e Europa. Seu escritório registra, entre os acontecimentos recentes, a vitória em um concurso para o Art Museum Kurpark Bad Ragaz, na Suíça, além de exposições e atividades acadêmicas. (carlajuacaba.com)

O que observar?

A precisão.

Em muitos projetos de Juaçaba, não há excesso de elementos para produzir impacto.

Estrutura, proporção, montagem e relação com o espaço existente assumem protagonismo.

É uma arquitetura que ajuda a mostrar que contemporaneidade não depende de excesso tecnológico ou formal.

8. Marcio Kogan e Studio MK27: luz, sombra e residência brasileira

Marcio Kogan é fundador do Studio MK27, escritório brasileiro especialmente reconhecido por sua produção residencial.

Suas casas são frequentemente associadas a:

  • volumes horizontais;
  • integração entre interior e exterior;
  • madeira;
  • concreto;
  • grandes planos móveis;
  • enquadramento da paisagem;
  • controle de luz e sombra.

Mas é importante não transformar esses elementos em uma “receita de casa contemporânea”.

O interesse está em observar como são utilizados.

A Casa Bloco, concluída em São Paulo em 2025, por exemplo, ocupa um lote urbano estreito e utiliza um pátio lateral para favorecer iluminação e ventilação natural das áreas de apoio. (mk27.com)

A produção recente do escritório confirma que Marcio Kogan continua em atividade, com projetos residenciais, institucionais, interiores e design. (mk27.com)

O que observar?

Nas residências do Studio MK27, vale prestar atenção principalmente à transição entre dentro e fora.

Varandas, painéis móveis, sombras profundas e paisagismo costumam funcionar como espaços intermediários, em vez de simplesmente separar a casa do jardim por uma parede.

Essa discussão é especialmente pertinente ao clima brasileiro.

O que esses arquitetos têm em comum?

Visualmente, muito pouco.

E essa é justamente a parte mais interessante.

Uma escola de Francis Kéré em Burkina Faso não se parece com uma casa do Studio MK27 em São Paulo.

A arquitetura de Marina Tabassum não é formalmente igual à de Bjarke Ingels.

As transformações de Lacaton e Vassal podem ser muito menos espetaculares em fotografia do que um edifício de Jeanne Gang.

Mesmo assim, todos ajudam a compreender questões importantes do presente.

ArquitetoQuestão que sua obra ajuda a observar
Francis Kéréclima, comunidade e materiais locais
Lacaton & Vassalreuso, transformação e habitação
Marina Tabassumclima, cultura e identidade local
Lina Ghotmehmemória, materiais e impacto ambiental
Jeanne Gangcidade, ecologia e coletividade
Bjarke Ingelsprogramas híbridos e infraestrutura
Carla Juaçabaestrutura, precisão e experimentação
Marcio Koganresidência, sombra e integração interior-exterior

A tabela também mostra por que não faz muito sentido tentar eleger “o arquiteto mais contemporâneo”.

Existem diferentes maneiras de responder às perguntas atuais.

E nomes como Frank Lloyd Wright, Oscar Niemeyer e Lina Bo Bardi?

Eles continuam fundamentais.

Mas pertencem a outro recorte histórico.

Frank Lloyd Wright morreu em 1959.

Lina Bo Bardi morreu em 1992.

Oscar Niemeyer morreu em 2012.

Suas obras continuam influenciando arquitetos contemporâneos e permanecem relevantes para compreender a arquitetura atual, mas é mais correto apresentá-los como mestres históricos cuja influência permanece contemporânea, e não como profissionais da atual geração.

Paulo Mendes da Rocha ocupa uma posição semelhante.

Falecido em 2021, foi um dos arquitetos brasileiros mais importantes das últimas décadas e recebeu o Pritzker Architecture Prize em 2006. Sua obra continua profundamente presente nas discussões atuais.

Esses nomes merecem artigos próprios, com contexto histórico adequado, em vez de serem encaixados artificialmente em uma lista de profissionais em atividade.

Por que uma lista de arquitetos contemporâneos sempre será provisória?

Porque a própria arquitetura contemporânea é provisória.

Novos escritórios surgem.

Outros amadurecem.

Tecnologias mudam.

Problemas urbanos ganham novas dimensões.

Questões que quase não apareciam em debates arquitetônicos algumas décadas atrás — como carbono incorporado, adaptação climática, reuso em larga escala e biodiversidade urbana — hoje têm espaço crescente na profissão.

Da mesma forma, regiões anteriormente pouco representadas na narrativa internacional da arquitetura passaram a receber mais atenção.

Por isso, uma boa seleção não deveria apenas repetir os mesmos nomes consagrados indefinidamente.

Ela precisa acompanhar aquilo que está sendo efetivamente projetado, construído e discutido.

O que observar quando você conhecer a obra de um arquiteto?

Em vez de começar perguntando qual é o “estilo” daquele profissional, experimente observar cinco aspectos.

1. Como o projeto responde ao lugar?

Clima, terreno, cultura, vizinhança e recursos disponíveis fazem parte da arquitetura.

2. Que problema o projeto tenta resolver?

Uma forma diferente pode ser consequência de uma necessidade real — ou apenas uma decisão formal.

Entender essa diferença melhora bastante a leitura.

3. Como os materiais são utilizados?

Não basta identificar concreto, madeira ou tijolo.

Observe por que foram escolhidos, como são montados e o que fazem no edifício.

4. Como as pessoas usam o espaço?

Arquitetura não termina na fotografia.

Circulação, encontro, privacidade, conforto e possibilidade de mudança fazem parte da experiência.

5. O edifício poderia estar em qualquer lugar?

Às vezes, sim.

Mas quando a arquitetura possui uma relação forte com clima, cultura e contexto, normalmente é possível perceber por que aquela solução pertence àquele lugar específico.

Arquitetos contemporâneos mostram que não existe uma única arquitetura do presente

Talvez a melhor conclusão desta seleção seja justamente abandonar a procura por uma fórmula.

Arquitetura contemporânea não é um pacote formado por concreto aparente, vidro, linhas retas e decoração minimalista.

Ela pode nascer de terra, madeira ou aço.

Pode transformar um prédio antigo em vez de substituí-lo.

Pode ser uma escola de orçamento limitado, um museu, uma casa, um pavilhão temporário ou uma intervenção urbana.

Os arquitetos mais interessantes do nosso tempo não são necessariamente aqueles que repetem uma estética reconhecível.

São os que conseguem formular boas perguntas sobre o lugar, os recursos, as pessoas e os desafios de seu próprio tempo — e encontrar respostas arquitetônicas consistentes para elas.

Arquitetos contemporâneos: nomes e obras que ajudam a entender a arquitetura atual
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Luciana Paixão
Luciana Paixãohttps://www.aarquiteta.com.br
Luciana Paixão, arquiteta e instrutora renomada, autora do "Guia Abrangente para Aprovação de Projetos de Prefeituras", é reconhecida desde 2013 no campo da arquitetura. Destacada como Mente Influente pela Revista "Negócios da Comunicação" e premiada por seu trabalho em mídias sociais, Luciana acumula mais de 400.000 seguidores, consolidando sua posição de liderança no setor.