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Estudo de caso Sesc Pompeia de Lina Bo Bardi

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26 set 2014
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Conheça mais sobre o SESC Pompeia, um dos marcos da arquitetura brasileira.

O Sesc Pompeia é outra obra da arquiteta Lina Bo Bardi que, assim como o MASP (Museu de Arte de São Paulo), é idealizado por seu projeto inovador ao redor do mundo.

Ele foi inaugurado em 1986, se tornando uma referência para a arquitetura brasileira e também no estrangeiro. É considerado um dos espaços de convivência mais democráticos da capital paulista.

Lina deu início ao projeto em 1977, após ser convidada para transformar a antiga fábrica de tambores que funcionava ali em um complexo de lazer e cultura. Para isso, ela recebeu a colaboração dos arquitetos Marcelo Ferraz e André Vainer.

Carinhosamente, a arquiteta chamou o projeto de Cidadela da Liberdade, nome que é preservado até hoje quando o assunto é o Sesc Pompeia.

Neste artigo trouxemos algumas curiosidades sobre a obra e também em relação a história do complexo de lazer.

Ficou interessado? Então acompanhe!

Unidade mais famosa da rede

 

O Serviço Social do Comércio, ou Sesc como conhecemos, é uma rede de complexos de lazer e cultura, com unidades no país inteiro. Só no estado de São Paulo são 19 unidades distribuídas, mas a maioria se situa na capital.

Entre os muitos polos, o Sesc Pompeia se destaca entre as demais por seu design. Lina construiu o complexo a partir de uma antiga fábrica de tambores, como já mencionado, que levou dez anos para ser finalizado.

Como a própria arquiteta definiu ainda em 1977, ano em que as obras foram iniciadas, a ideia era preservar a fábrica para também manter um pedaço da história da cidade, sem disfarces.

Ela dizia que não queria manter o conceito do que era belo, mas sim valorizar o típico e o simples da fábrica de tambores.

Antes de Lina Bo Bardi

SESC Pompéia, a fábrica abandonada ano 1972.

Quando o projeto foi encomendado pela rede Sesc, antes mesmo de Lina assumir a obra, a proposta era de demolir toda a fábrica que existia ali.

A ideia caiu por terra já que por mais de cinco anos espaços industriais foram usados como uma espécie de unidade provisória ao Sesc, o que acabou sensibilizando a instituição.

Deste modo a fábrica foi mantida e se tornou um dos marcos da arquitetura brasileira, considerado uma referência não apenas nacionalmente, mas também para a arquitetura internacional.

Com a escolha de Lina para comandar a obra, a arquiteta acabou transferindo seu escritório para o canteiro de obras, sendo que boa parte do projeto acabou definida por ali mesmo.

Com estrutura original

Foram praticamente dez anos até que a obra do Sesc Pompeia fosse concluída, desde a compra do espaço em 1971 pela rede, até a sua inauguração. Praticamente toda a obra trazia o conceito de preservação, tanto que Lina fez questão de manter a estrutura original da fábrica.

Durante a projeção a arquiteta descobriu que a fábrica tinha sua estrutura moldada por François Hennebique, que foi pioneiro no uso de concreto armado. Assim, ela iniciou um processo para recuperar as paredes e retirar elementos adicionados com o passar dos anos, para trazer uma estrutura como a original ao complexo.

Dois grandes blocos de concreto armado foram usados para preencher os fundos do terreno, local destinado as atividades esportivas do complexo. Entre as torres há oito passarelas, também de concreto, que ligam o bloco esportivo.

Quanto aos espaços de convivência, a arquiteta criou um riacho e uma lareira, com o intuito de dar mais aconchego ao ambiente, além de salientar sua idade, visto que a construção já era antiga quando iniciada as obras.

Nos galpões funcionam hoje a choperia e os ateliês da unidade. Esses foram espaços adequados para agregar as atividades do Sesc, porém, como mencionado, a estrutura foi mantida bem próxima do original.

Mas o que chama atenção é o mobiliário, que foi desenvolvido dentro do complexo pela própria Lina e sua equipe. Na época essa atitude foi considerada revolucionária e inédita por muitos.

Extensão a Rua Clélia

Situado no número 93 da Rua Clélia, no bairro da Vila Pompeia, Zona Oeste de São Paulo, o Sesc acabou se tornando uma extensão do endereço.

Isso porque há um espaço vago entre os galpões que forma uma verdadeira rua, inclusive usada como uma extensão da mesma. Ela também é usada para organizar os fluxos internos do complexo.

Primeira inauguração do Sesc Pompeia

Parte da obra foi concluída ainda nos anos de 1980, mais especificamente em 1982. Assim, a readequação da antiga fábrica de tambores para o complexo de lazer e cultura foi mostrada ao público neste ano.

A obra só viria a ser terminada por completo em 1986, já que ainda faltavam muitos detalhes da adequação do prédio para o marco arquitetônico que ele representa ainda hoje.

O choque na arquitetura

Quando foi inaugurado por completo em 1986, o Sesc Pompeia trazia um bloco esportivo além da fábrica readequada. Para o público esse foi o choque maior em relação ao complexo, enquanto na arquitetura, mais tarde, uma referência.

Como já dito, o espaço trazia duas torres de concreto armado que serviriam para abrigar as atividades esportivas, onde Lina ainda projetou os chamados “buracos de caverna” no lugar das janelas em uma das torres. Para outra, trouxe janelas quadradas, mas salpicadas de forma aleatória pelas fachadas, o que surpreendeu a muito.

Havia ainda uma terceira torre cilíndrica com um total de 70 metros de altura, também em concreto aparente como as outras. O interessante dessa é que ela é marcada por uma espécie de rendado que vem de seu interior.

As passarelas

Para ligar as duas torres há oito passarelas de concreto protendido, que ficavam entre os vestiários e as quadras esportivas. Eles criaram vãos de até 25 metros.

Em cada passarela passa um córrego canalizado, chamado de Córrego das Águas Pretas. Como ocorreu com o vão do MASP, que surgiu para não tampar a paisagem da Avenida Nove de Julho, as passarelas também não estão ali por mero acaso.

O córrego já passava por ali e não teria como como desvia-lo. Também não teria como construir qualquer outro elemento aos fundos do complexo, por isso foi instalado um deck no fim do córrego, que serve como um solário nos dias mais quentes.

Estudo de caso do Sesc Pompéia

O SESC POMPÉIA da Arquiteta Lina Bo Bardi foi um dos meus estudos de caso.

Objetivo da escolha do Edifício para estudo de caso

Como proposta para tema de Final de Curso de Graduação o SESC POMPEIA servirá de objeto de estudo no que se diz ao programa do projeto voltadas para as necessidades dos idosos como as oficinas, salão de jogos, espaço expositivo e etc.

A arquitetura em si não foi o foco principal, foram mencionadas algumas das suas características mas a análise foi baseada no uso e no programa. Nesse caso o partido que nos interessa é a disposição das oficinas, do teatro, das áreas livres de convivência. Isso sim foi observado com mais atenção.

Os espaços livres planejados por Lina dão uma sensação de amplidão e integração. Todos se vêem ao mesmo tempo e ninguém nunca está sozinho.

Uma entrevista com usuários do local reforçou o pensamento inicial de um programa diversificado apoiado em espaços abertos com oficinas também diversificadas.

No momento da visita haviam poucos idosos mas de acordo com o entrevistado muitos deles frequentam os SESC durante a semana sendo que a entrevista foi realizada no Final de Semana.

Visita técnica

Objetivo do Projeto

O projeto do SESC Pompéia propõe a manutenção do espaço livre dos galpões com um olhar crítico para a antiga estrutura: as funções foram reprojetadas e o projeto de tecnologia fabril transformado em um novo projeto.

Análise

De acordo com visita realizada o SESC nos mostra forte identidade através da memória industrial preservada pelas soluções de restauro, reciclagem e novas intervenções na paisagem urbana.

O programa extenso exige verticalização e a distância dos dois espaços edificáveis sugere uma solução simples:a ocupação do espaço aéreo do córrego por robustas passarelas. Pontes unem os dois edifícios principais da Pompéia e servem para que os jovens regressem aos vestiários da torre pequena.

O 1º em um prisma estrutural regular destinado as piscinas e as quadras esportivas, sobrepostas em 4 andares de pé direito duplo e piso em grelha de concreto protendido para liberar áreas de 30 por 40 m.

O 2º um pouco mais esguio é ligado ao 1º por passarelas de concreto protendido destinadas aos vestiários e sala de exercícios tem uma das faces marcadas pela escada de emergência e respectivos terraços de circulação.

É um grande atrativo para a população com sua extensa programação cultural, com espetáculos, eventos e exposições de grande ressonância na vida da cidade.

Entrevista

 1ª Mãe

P: O que a senhora mais gosta aqui no SESC Pompéia?

R: Primeiro de tudo que ele fica pertinho da minha casa, moro a 5 minutos daqui e trago meus filhos sempre aos finais de semana e nas férias, eles se divertem enquanto eu leio um livro em uma das salas de leitura.

 2ª Usuário da oficina de 3o idade

P: Qual o curso oferecido pelo SESC que mais lhe chama a atenção e Por quê?

R: Eu adoro as oficinas de marcenaria, gosto de desse tipo de trabalho me sinto útil e meus netos sempre se divertem com os brinquedinhos que faço pra eles, me sinto muito bem recebidos pelos funcionários. Pra mim o SESC faz parte da minha vida.

 3ª Funcionário do teatro

P: O Sr já assistiu alguma peça teatral do SESC?

R: Sim, claro. São sempre interessantes não só paras as crianças como para os adultos. As instalações não parecem muito confortáveis mas ninguém parece se importar muito.

 4ª Funcionário das quadras

P: O que o Sr acha que mais atrai as pessoas para o SESC? Qual a faixa etária que mais o utiliza?

R: Aqui tudo é atrativo, desde as piscinas que são muito bonitas pelo seu colorido até o teatro que sempre atrai mais aos jovens. As oficinas são freqüentadas mais pelos adultos. Mas tem gente de todas as idades que participam de tudo principalmente quando há shows e mostras de exposição.

 

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