Home > Carreira Profissional > As etapas de um projeto que você aprende na faculdade

Na faculdade de Arquitetura somos inundados por conhecimentos dos mais variados durante os 5 longos anos que vivemos em sala de aula e hoje vou citar um dos assuntos não ensinados com profundidade em classe que são as chamadas Etapas de um Projeto.

Porém por mais que você acredite que esse tempo de sala de aula é mais que suficiente para que os professores transmitam ao aluno todo conhecimento necessário para formá-lo um profissional pleno e totalmente apto a desenvolver uma bem-sucedida carreira, saiba que a coisa não é bem assim.

Existem outros assuntos não menos importantes que infelizmente você não vai aprender em sala de aula e que vai te fazer falta na vida profissional.

Como sempre digo, infelizmente não é possível aprendermos tudo durante a faculdade de Arquitetura, não porque os professores ou as faculdades não queiram ensinar, mas porque não dá tempo para ser falado ou ensinado tudo o que é necessário para um aluno aprender a conquistar seu espaço no mercado de trabalho de arquitetura.

Muitas das práticas profissionais que tanto precisamos ter conhecimentos são infelizmente aprendidas na vida prática profissional mesmo. A disciplina de Arquitetura é uma carreira bem complexa e extensa onde o professor tem muito a falar e ensinar, porém, em pouquíssimo tempo.

Fica praticamente delegado aos estágios a tarefa ou missão de informar sobre os procedimentos práticos do dia-a-dia do profissional. E aí não tem jeito… só vivenciando na prática para aprender!

Na faculdade aprendemos que um projeto de arquitetura nasce da relação arquiteto x cliente. Um plano de ideias e um programa de necessidades são traçados baseados nas funções estéticas e espaciais, resultando assim no que chamamos de projeto de arquitetura, e o que consiste um projeto completo de Arquitetura?

Etapas de um projeto

O projeto de arquitetura consiste na divisão de etapas de trabalho de acordo com sua fase:

Estudo preliminar

É o primeiro passo onde são exibidos o conceito, o programa de necessidades e as soluções construtivas adotadas.

 

Anteprojeto

É a etapa posterior ao Estudo Preliminar. Nesta etapa são apresentadas com maior definição as soluções técnicas e estética adotadas pelo arquiteto, incluindo plantas, cortes e elevações, podendo até apresentar volumetrias ou maquetes.

Não preciso dizer mais nada sobre essas duas etapas de um projeto iniciais, não é verdade?

Na faculdade você aprende tudo sobre ela, pois é NESTA fase que o aluno trabalha a maior parte do tempo nas aulas de projetos.

As fases seguintes são:

Projeto Legal ou Projeto de Aprovação

Também conhecido como Projeto para Prefeitura, como o próprio nome diz, é um projeto a ser apresentado a PM (prefeitura municipal), de modo a registrar em forma de documento a construção ou regularização de uma edificação.

Esta etapa não é menos importante que as demais e, dependendo do foco que você for dar a sua carreira, vai ser necessário entender para que servem esses projetos.

É muito importante para o aluno entender a função do projeto legal. No entanto quando o assunto é abordado nas salas ele acontece de forma muito superficial. Alguns arquitetos não trabalham com aprovação, outros só trabalham com isso.

Projeto Executivo

Onde são detalhados todos os itens e disciplinas do projeto com a finalidade de ser utilizada na obra. É nele que o arquiteto especifica dimensões, acabamentos, materiais utilizados, sistemas construtivos, tipologias, pontos hidráulicos e estruturas gerais.

É o projeto que vai para obra, onde o construtor acompanha todas as especificações que o autor do projeto anotou. Ele é diferente em escala e nível de detalhamento quando comparado aos demais desenhos das fases anteriores.

É uma das fases que mais “dá trabalho” ao Arquiteto, pois trata-se de desenhos minucioso, ricos em detalhes que não aparecem nos anteprojetos e no projeto legal.

É baseado nos projetos executivos que o construtor consegue edificar a construção ou ainda sanar dúvidas naquele momento em que o arquiteto não estiver presente no local.

Etapas de um projeto na faculdade de arquitetura

Independente da forma como os projetos são desenvolvidos na fase de estudante, se a mão no papel manteiga ou no computador no AutoCAD, o que diga-se de passagem é pouco provável que o aluno consiga aprender de fato a dominar um programa de arquitetura em poucas horas-aulas semanais, o que o obrigada aprender por outros meios.

Na faculdade o professor está preocupado em ensinar ao aluno as técnicas projetuais/concentuais e “esquecem” de entrar com mais profundidade nas práticas profissionais tão importantes e que o aluno vai precisar ter conhecimento ao se formar.

Existem assuntos que são poucos ou nada abordados em sala de aula, como o projeto legal e os executivos de forma geral, por exemplo, e também os não menos importantes assuntos como técnicas e estratégicas de como abrir seu próprio escritório se quer são levantados em sala de aula.

É importante que quem esteja cursando a faculdade de arquitetura busque conhecimento sobre todas as fases do projeto e principalmente ter domínio sobre todas essas etapas de um projeto, pois elas são muito essenciais para a vida profissional.

Na faculdade, muitas vezes, nem chegamos na fase do Anteprojeto e para a vida profissional em um escritório de Arquitetura o profissional precisa chegar aos finalmentes a fim de oferecer e entregar ao cliente um trabalho profissional.

Abrir um escritório e atender um cliente com o conhecimento que é aprendido somente em sala de aula pode causar contratempos graves durante o processo de trabalho, começando pelo projeto legal.

Atualmente os Arquitetos e Engenheiros aprendem a elaborar projetos legais na “raça”, como se dizem popularmente por ai, e o mesmo acontece com os projetos executivos.

Esses projetos são assuntos que como eu já falei N vezes, não são aprendidos em sala de aula.

Então como se aprende a desenvolver esses projetos?

Na vida prática, trabalhando com outros profissionais mais experientes, nos estágios, nas construtoras, etc.

O que é importante ao sair da sala de aula, antes do aluno começar a pensar em abrir seu próprio escritório, é que ele tenha a consciência desse fato.

Mesmo que o aluno não queira abrir seu próprio negócio e tenha a intenção de trabalhar para outros colegas, nos escritórios de arquitetura é importante que este tenha domínio sobre todas essas etapas de um projeto, pois no momento da contratação saber elaborar esses desenhos pode fazer a diferença na entrevista com um empregador, por exemplo.

Busque por conhecimento além da sala de aula e prepare-se para o mercado. O que você aprendeu na faculdade é só o inicio da jornada, o caminho é bem mais longo do que parece ser.
Luciana Paixão

Arquiteta

2 Respostas

  1. Douglas

    Cara Luciana, é muito bom ver arquitet@s publicando material na internet e sigo seus comentários quando me sobra um tempo no trabalho. Mas eu gostaria de esclarecer alguns pontos que foram abordados neste post. Sou professor de arquitetura e urbanismo, mas não ensino projeto (quem ensina?). As diretrizes do MEC (2010) estipulam um conjunto de conhecimentos básicos e determina que o estudo não é terminado na universidade que também não detém todo conhecimento necessário. A formação do aluno, de acordo com o Ministério, é dada por pesquisa, extensão, cursos, estágios, pós-graduação e prática profissional. Na verdade todo curso de graduação no país segue este entendimento, ou seja, nenhum profissional consegue ser formado em sua totalidade só assistindo às aulas e depende dele, de sua iniciativa e vontade continuar sua formação por toda a vida.
    As escolas de arquitetura (departamentos ou seja como for em cada instituição), focam no projeto preliminar e no anteprojeto porque são a fase crítica do ensino(?) de como projetar porque nesta etapa são elencados fatores macro como implantação, relação urbana, relações sociais construída-alteradas, eficiência, enfim, diversos critérios que afetam todo o restante. Neste momento inicial, a quantidade e a subjetividade dos temas invocados exige prática e experimentação contínua para fortalecer e fomentar uma visão crítica, humana e expressiva da arquitetura e urbanismo. Este tipo de atitude dificilmente se constrói no mercado que é avassalador, redutor e técnico. As fases seguintes são mais técnicas, burocráticas e, apesar de envolverem decisões críticas de projeto, são mais técnicas, repetitivas e condicionadas pelas fases iniciais. Neste sentido a universidade apresenta este panorama, mas foca no outro, inicial e mais frágil. Um aluno de arquitetura que não desenvolve a visão crítica e social – humana da arquitetura acaba por entrar no mercado como reprodutor de consensos e passa a atuar mecanicamente no escritório, sem criação ou liberdade. Este sujeito, pouco contribui para o fundamento da arquitetura que é operar na escala humana/urbana. Sem o exercício tantas vezes realizado em cada disciplina de projeto, a universidade cai em uma reprodução de um sistema apático, técnico e formador de tecnólogos ao invés de focar no seu objetivo, formadora de cidadãos graduados em ensino superior.
    Deste modo, é normal e até desejável que este conteúdo de desenho que apresenta seja finalizado no mercado porque se atém ás tecnologias mais atuais. Um curso de arquitetura que abrangesse todas atribuições do CAU, necessitaria de pelo menos 10 anos de graduação e no fim deste período o aluno já estaria desatualizado. É necessário entender que existe a parceria mercado-universidade e que cada um tem sua atribuição. Depender da universidade para absorver(!) todo conteúdo necessário à formação é uma atitude relapsa e passiva. Sabemos que o conhecimento nunca é absorvido, mas construído principalmente pela iniciativa do aluno.

    1. Olá Professor! Muito obrigada por me acompanhar. Concordo plenamente que o conhecimento não se finda na faculdade, pelo contrário, ele se estende por toda vida. Seu comentário vem mesmo a complementar o artigo em relação ao papel da faculdade na vida do aluno. Realmente pra formar um profissional mais completo seria necessário que o curso tivesse o dobro da carga horária de estudos ou o equivalente a 10 anos de um período pra ser possível abranger tudo que precisamos dominar pra ingressar no mercado. Por isso, modéstia a parte, eu considero meu trabalho e dos meus parceiros de muita relevância para quem deseja aprender mais com conhecimento extra sala de aula, nossos cursos como material complementar tem se apresentado de muita valia, por ser reflexo de nossa experiência prática, ele tem ajudado a muitos alunos em todo o país, preparando-os para o estagio e a vida profissional com conteúdo não apresentado em sala de aula. O feedback tem sido surpreendente. Vidas profissionais modificadas por nossos cursos tem nos causado muita gratificação, mas claro, o aluno tem que ter interesse por consumir esse conteúdo e buscar por sempre mais. Obrigada mais uma vez e sucesso para nós.

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