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O que um Arquiteto de Edificações precisa saber para trabalhar?

arquiteto de edificações

 

Como já abordei anteriormente, quando o assunto é o nível de formação da grade do curso de Arquitetura, o aluno tem que ter a consciência de que o curso aborda muitas disciplinas e que a extensa grade curricular faz com que não seja possível que o aluno aprenda em profundidade todos os assuntos que competem ao curso.

É preciso muito mais tempo, dentro e fora de sala de aula, para que o aluno aprenda com eficiência tudo o que o profissional precisa saber para trabalhar plenamente como um Arquiteto de Edificações.

O foco do curso de Arquitetura na maioria das faculdades é sobre o desenvolvimento de projetos de arquiteturas. Disciplinas como a de Projetos Especiais que vai desde o Projeto 1 ao 10, por exemplo, é a grande prova de que o direcionamento do curso está em ensinar ao aluno os preceitos projetuais.

Museus, Centros Culturais, Edifícios Multifuncionais são os assuntos mais abordados nas salas de aula. Trabalhar volumetrias e espacialidade são alguns dos pontos principais desses projetos e da disciplina.

Só depois de formado o Arquiteto poderá exercer a sua profissão mediante a inscrição no conselho da classe, chamado CAU: Conselho de Arquitetura e Urbanismo, que autoriza o exercício legal da profissão.

E para exercer sua profissão plenamente, o aluno deve dominar outros assuntos que só vem com o tempo e a prática profissional.

Os 4 pilares que sustentam o arquiteto de edificações no mercado profissional

1 – Arquitetura na Prática (aquela que não se aprende em sala de aula)

As fases de desenho que são abordadas em sala de aula ficam aquém do devido “exercício” na necessidade de prática do aluno. Assim que ele se forma fica clara essa lacuna deficitária, deficiência que se não for logo corrigida pode dificultar a inserção dos arquitetos recém-chegados ao mercado de trabalho.

Além dos desenhos de arquitetura de edificações aprendidos em sala de aula é preciso que, o Arquiteto que deseja trabalhar como Projetos de Edificações, aprenda os demais desenhos das fases de projeto, necessários para se elaborar desenhos de arquitetura de outras naturezas como os Projetos Legais e os Executivos de Obra.

O Projeto Legal ou Projeto de Aprovação , os chamados Projetos de Prefeitura, também conhecido como Projeto para Prefeitura, como o próprio nome diz é um projeto a ser apresentado na prefeitura municipal (PM) de modo a registrar em forma de documento a construção ou regularização de uma edificação de qualquer natureza.

E você que me acompanha aqui no blog já sabe da sua importância e da necessidade de saber elaborar um desenho ou projeto desse tipo, pois há muito venho falado sobre esse tema.

Em meu e-book Projetos de Prefeitura eu explico em detalhes todos os projetos que fazem parte desse assunto, bem como ensino também a elaborá-los dentro de um passo a passo prático e objetivo que vai facilitar em muito a vida prática profissional de quem está começando na carreira.

Sem os projetos de prefeitura um Arquiteto de Edificações não consegue exercer sua profissão com o foco nessa área, pois para construir ou reformar é OBRIGATÓRIO apresentar o projeto em prefeitura antes mesmo de começar a montar o barração com as primeiras instalações no lote. É da chamada responsabilidade técnica que os técnicos da prefeitura estão à procura, ou seja, um responsável pela direção de obra.

E não tem como ser diferente, pois é através do alvará do projeto aprovado que a prefeitura tem o controle sobre a real ocupação e uso do solo.

Muitas cidades se encontram em crescimento desordenado com ocupações e construções irregulares devido a inobservância do cumprimento das leis do código de obras e do plano diretor da cidade. Cabe a prefeitura vistoriar e promover a regularização das edificações a fim não somente de ordenar a ocupação do solo da cidade, mas de evitar que grandes tragédias aconteçam por falta de supervisão.

A fase de aprovação é a fase do nosso trabalho que consideramos mais “penosa”. O nível de exigência das prefeituras vem aumentando na proporção que as questões burocráticas dos departamentos públicos tornam o processo de aprovação lento e moroso.

É necessário que o Arquiteto de Edificações acompanhe de muito perto o andamento do processo, para que o tempo de aprovação não se estenda por um tempo maior que o de costume, pois a demanda de trabalho nos departamentos é muita e os técnico da prefeitura são insuficientes para dar conta de todo o trabalho. Sem contar os demais problemas que encontramos nesse percurso que ultrapassam muitas vezes a questão da ética profissional.

A fase seguinte ao do projeto legal, que você provavelmente pouco aprendeu a trabalhar em sala de aula, são os Projetos Executivos.

O Projeto Executivo são desenhos onde são detalhados todos os itens e disciplinas do projeto com a finalidade de ser utilizada na obra. É nele que o arquiteto de edificações especifica dimensões, acabamentos, materiais utilizados, sistemas construtivos, tipologias, pontos hidráulicos e estruturas gerais.

É o projeto executivo que vai à obra, onde o construtor acompanha todas as especificações que o autor do projeto detalhou. Ele é diferente em escala e nível de detalhamento quando comparado aos demais desenhos das fases anteriores. É uma das fases que mais “dão trabalho” ao Arquiteto de Edificações, pois trata-se de desenhos minuciosos, ricos em detalhes que não aparecem nos anteprojetos e no projeto legal.

É baseado nos Projetos Executivos que o construtor consegue edificar a construção ou ainda sanar dúvidas naquele momento em que o arquiteto não estiver presente no local.

Um bom projeto executivo além de demonstrar profissionalismo por parte do profissional, coopera também com a melhor execução dos serviços no local da obra, já que nele são detalhados o que está fora do alcance da compreensão e do entendimento dos profissionais que estão ali para ajudar você a transformar em realidade o seu projeto. Entre eles estão os construtores, os pedreiros, os instaladores, etc.

Existe uma parcela dos escritórios de Arquitetura que “pulam” essa fase do projeto, pois como os Projetos Executivos são considerados trabalhosos e infindáveis, e dependendo do programa utilizado demoram muito tempo para serem produzidos, existem muitas obras que são desenvolvidas sem a existência de um projeto executivo completo no local, havendo apenas o que alguns chamam de pré-executivos.  São desenhos que não chegam a detalhar a obra no nível de um projeto executivo completo, mas que possui especificações e detalhamentos mínimos para a execução da obra. Nestes casos é basicamente uma questão de custo x benefício.

Pouquíssimos profissionais, no mínimo os mais experientes, os do tipo que estão presentes fisicamente na obra di-a-ri-a-men-te, podem se dar ao luxo de iniciar uma obra sem utilizar da presença desses desenhos detalhados. Afinal de contas eles estão in loco para supervisionar passo a passo cada etapa da construção, possibilitando aos profissionais daquela obra tirarem suas dúvidas em tempo real, sem a necessidade de aguardar o dia da visita do arquiteto responsável na obra.

Porém isso é muito raro e para aqueles que estão começando agora e querem imprimir no mercado uma marca mais profissional de seu trabalho e de sua profissão, precisam com toda certeza produzir os projetos executivos completos de obra.

2 – Programas para Arquitetos de Edificações

Um profissional maduro na profissão deve dominar os programas para elaboração de projetos arquitetônicos, seja de Humanização de Desenhos em 2D, Programas de visualização em 3D ou Passeios Virtuais.

Quem não conhece ou não trabalha com ao menos um programa desse tipo, precisa urgentemente rever seus conceitos. Independente se o Arquiteto de Edificações trabalha com desenhos feitos a mão no momento da sua concepção, é estritamente necessário que depois dessa fase ele seja transferido para um meio eletrônico.

Que não existem mais apresentações finais feitas no papel, eu não preciso nem comentar, mas mesmo que o arquiteto não desenvolva os desenhos mencionados a cima por si próprio, ele deve se preocupar em montar uma equipe especializada que esteja apta para desenvolver tais desenhos.

Muitos escritórios trabalham dessa forma, pois a rotina de obra “rouba” muitas vezes todo o tempo de elaboração de desenhos, principalmente os executivos. É aí onde começam a carreira de muitos estudantes, através do estágio ou ainda dos recém-formados, que ávidos por aprender ingressam no mercado como desenhistas.

É nos escritórios de arquitetura que o profissional recém-chegado ao mercado vai aprender na prática o que a faculdade não ensinou, adquirindo maturidade e experiência ao longo dos anos.

Alguns chegam lá antes e outros muito mais tarde, dependendo do interesse de cada um. Por isso que é importante não contar só com o ensino da sala de aula, mas buscar aprender mais e o quanto antes, o que a faculdade deveria ter ensinado.

Essas soluções são atalhos que pouparão muito desgaste lá na frente, pois certamente da forma tradicional demora muito mais tempo para alcançar um bom nível de conhecimento prático, que através dos escritórios de arquitetura.

São grandes as opções de representação para a área da arquitetura, e elas são de extrema importância para o profissional por se tratarem da expressão real do resultado final do projeto. Eles criam diferenciais atrativos que facilitam o entendimento do projeto na mesma proporção que encantam aos clientes. Ao mesmo tempo essa forma da apresentação tem grande peso e auxílio na venda de trabalho do Arquiteto de forma mais eficiente que apenas “rabiscos. ”

Com o advento das tecnologias, o perfil dos novos clientes vem mudando muito rapidamente. Eles estão cada vez mais exigentes quanto a forma como os projetos vêm sendo apresentados e o Arquiteto de Edificações que deseja ter o seu trabalho valorizado, deve apresenta-los de forma mais profissional possível.

Com tantos programas disponíveis no mercado, existem profissionais que por vários motivos deixam a desejar quanto a essa questão, o que pode equivocadamente transparecer ao cliente que o Arquiteto não é tão profissional quando ele esperava, já que provavelmente ele espera ver desenhos de melhor qualidade de apresentação, seja 2D ou 3D.

O mercado tem mostrado muito amadorismo por falta de conhecimento especializado por parte dos que estão ingressando na carreira de forma desorientada.

A Arquitetura de Edificações conta com um público alvo dentro de um nicho muito abrangente e o profissional que se especializar ou melhor se capacitar para adentrar essa área, tem maiores chances de conquistar uma fatia desse mercado. Para isso ele deve mostrar profissionalismo em seu trabalho em todas as etapas.

3 – Trabalhando em Equipe

Uma das habilidades e características do Arquiteto de Edficações é ter um espirito prático e de trabalho em equipe.

Dependemos do trabalho de outros profissionais para realizar com eficiência o nosso. Além de trabalhar em parceria com outros profissionais da área técnica como o Engenheiro Calculista de Estruturas, Fundações, Elétrico, Hidráulico, entre outros, o arquiteto deve montar também a sua equipe de trabalho de obra:

Empreiteiros, prestadores de mão de obra e serviços em geral

Formar uma equipe qualificada de empreiteiros é o primeiro passo. O meio mais usual de se conhecer novos profissionais é pela indicação. Um bom trabalho sempre deixa boas referências; pesquise entre colegas e por trabalhos realizados por esses profissionais.

Fornecedores de material de construção

Conhecer a qualidade do fornecimento de material de lojas especializadas, de todas as fases da obra, assim como ter um bom relacionamento com as mesmas, garantem um bom orçamento da obra.

Muitas lojas trabalham com a fidelização do cliente/arquiteto, promovendo descontos e facilidades de pagamento que trazem muitas vantagens tanto para o proprietário como para quem gerencia a obra como um todo.

Essa é uma das vantagens de se ter um arquiteto intermediador/negociador, pois bons relacionamentos na área comercial atingem diretamente não só o bom desenvolvimento da construção, mas também o custo final da obra.

Indicação é a palavra chave para quem quer ter boas referências nesse item. Problemas durante a obra sempre ocorrerão e por isso é importantíssimo pesquisar.

4 – Quanto a Remuneração

Geralmente os arquitetos de edificações recebem por seu trabalho de 2 maneiras.

Remuneração por Elaboração do Projeto

Onde ele detém a autoria das ideias e soluções encontradas para aquele cliente/local. Infelizmente não é tão valorizada em nosso país, pois o leigo confunde o trabalho do arquiteto como apenas um “desenhador” e acha que o engenheiro é que põe a obra em pé, não entendendo o que há de verdade por traz das profissões.

Remuneração por Administração / Gerenciamento da Obra

É o pagamento realizado a partir do cálculo por porcentagens sobre o custo total da obra.

É a fase com maior retorno financeiro para o Arquiteto, pois é a fase do gerenciamento da construção/reforma da edificação onde se encontram as maiores responsabilidades, ou seja, a chamada fase que “dá trabalho”.

Alguns Arquitetos trabalham em parceria com o Engenheiro Civil, um casamento perfeito para que cada um extrai o melhor de sua área.

Dependendo do tamanho do projeto e do número de profissionais de obra envolvidos uma construção nova pode demorar até 2 anos, enquanto a elaboração de um projeto pode ocorrer em poucos meses.

Aí está o motivo pelo qual muitos arquitetos autônomos ingressam para a área de Arquitetura de Edificações. Estar envolvido em 2 a 3 obras simultaneamente favorecem a ganhos mais expressivos se comparados aos arquitetos que trabalham em regime de CLT, onde muitos não respeitam sequer o piso salarial exigido por lei.

O importante também para quem está pensando em entrar para a área de forma independente é saber que o Arquiteto deve ter perfil para trabalhar com pressões, cobranças e imprevistos, pois para dirigir uma equipe e tudo que uma obra demanda é necessário ter pulso firme e um bom psicológico na liderança de equipes.

Apesar dos atrativos despertados pelo retorno financeiro da administração de obras, o Arquiteto de Edificações que deseja trabalhar com Gerenciamento deve ter conhecimento especializado e certa experiência no assunto.

Eu sugiro a quem está pensando em atuar nessa área que faça estágios em escritórios de arquitetura. Não somente na parte interna do escritório na elaboração de desenhos, mas também na parte de trabalho de campo, visitando e acompanhando as obras.

Trabalhar em construtoras acompanhando a rotina dos engenheiros também é uma boa alternativa para quem quer se especializar no assunto.

Existem também no mercado alguns cursos sobre Gerenciamento e Administração de Obras que podem conferir ao iniciante mais subsídios para que ele exerça no futuro um cargo desse tipo com mais segurança dentro das responsabilidades que a função exige.

 

 

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